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Aposta no dinheiro novo

Por Roberto Lameirinhas

Aposta no dinheiro novo
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Dinheiro novo na praça sempre é bom. A decisão do governo Temer de liberar os valores das contas inativas do FGTS é uma tentativa válida de estimular a economia num momento em que os índices mostram sinais de uma reação mais tímida do que a necessária para pôr fim à crise que se prolonga há quase três anos. Para muitos economistas, a margem de manobra da equipe econômica para promover essa reativação vai se estreitando rapidamente e a injeção dos R$ 43 bilhões parados nas contas dos trabalhadores talvez seja um dos últimos recursos antes de medidas mais desesperadas, que resultariam em aumento da inflação.

 O governo tem encontrado dificuldade de convencer o mundo real da economia de que há razões para otimismo em relação à recuperação em curto prazo. Embora aquilo que se convencionou chamar de “mercado” tenha reagido bem às iniciativas de reequilíbrio das contas públicas, esforços para reformar a previdência e a legislação trabalhista são vistos com desconfiança pelo conjunto da sociedade - o que, em tese, pode ser fonte de turbulência política e, consequentemente, incertezas econômicas. A isso, some-se os efeitos ainda imprevisíveis das próximas fases da Operação Lava Jato.

 O índice de desemprego resiste em cair e as vendas do varejo seguem registrando declínios mês a mês pelo menos desde novembro.

 Diante desse ambiente, a aposta do governo é que o dinheiro das contas inativas seja suficiente pelo menos para reverter o sentido negativo da máquina do consumo, com a redução das cifras do endividamento das famílias.  Esse mesmo objetivo esteve na raiz das mudanças anunciadas pelo governo nas regras de rolagem da dívida rotativa do cartão de crédito.

 Como o consumo esteve na linha de frente da alavancagem da economia durante os governos de Lula e Dilma Rousseff, o gabinete de Temer espera que, com o nome limpo, os consumidores voltem a fazer sua parte no ciclo econômico, levando à recuperação das vendas e do emprego formal. Ainda que a liberação desses recursos para o cidadãos seja feito gradualmente, a partir de 10 de março.

 Há riscos nesta aposta, mas eles são menores do que a outra opção de injetar dinheiro novo na economia no atual quadro de falta de investimento: colocar as máquinas do Banco Central para imprimir cédulas.

A Batalha de Itararé de Trump

A Batalha de Itararé de Trump
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Por Roberto Lameirinhas

A Batalha de Itararé foi aquela que nunca ocorreu - ao menos não com os contornos de combate épico como o nome sugere - entre soldados gaúchos e resistentes paulistas em meio ao período de conflagrações de 1930 e 1932. Tornou-se sinônimo de relatos exagerados ou falsidade histórica. Distantes milhares de quilômetros da agradável cidade do interior de São Paulo, os EUA já têm, graças ao governo de Donald Trump, uma versão similar do episódio.

Trata-se do Massacre de Bowling Green. Uma das principais assessoras de comunicação da Casa Branca e conselheira da campanha eleitoral de Trump, Kellyanne Conway, decidiu sair em defesa das afirmações do chefe, de que a mídia americana oculta ou não noticia com destaque atentados terroristas para favorecer lobbies islâmicos. Trump tem plena consciência de que isso não é verdade, mas busca convencer seus seguidores de que artigos que exponham suas contradições são simplesmente “notícias falsas”.

Kellyanne, então, passou a dar entrevistas para consolidar a tese e declarou em mais de uma oportunidade que o massacre de Bowling Green era o exemplo mais bem acabado de ataque subnoticiado. “Dois cidadãos iraquianos vieram a este país (os EUA), juntaram-se ao Estado Islâmico, retornaram ao Oriente Médio onde se submeteram a treinamentos e refinaram suas técnicas terroristas e, afinal, foram os mentores do massacre de Bowling Green, que vitimou nossos bravos soldados”, disse à assessora em entrevistas separadas a pelo menos três veículos de mídia. A assessora não especificou a data do suposto ataque, mas o apresentou como exemplo claro da cumplicidade da imprensa americana com os “interesses islâmicos” - os mesmos interesses que estariam agora combatendo a decisão de Trump de impedir a entrada de cidadãos de sete países, mesmo com vistos válidos, nos EUA.

O problema é que meios de comunicação dos EUA e do mundo tinham uma boa razão para não ter noticiado a chacina: ela nunca, jamais, em nenhum momento aconteceu.

Para quem não se lembra, Kellyanne foi a inventora do termo “fatos alternativos”, quando o porta-voz oficial de Trump, Sean Spicer, foi surpreendido em flagrante mentira sobre a presença de público em Washington na cerimônia de posse do presidente, em janeiro.

No dia seguinte às entrevistas, Kellyanne admitiu que tinha cometido um “equívoco honesto” ao mencionar o massacre. E se referia, na verdade, a um processo aberto em 2011 contra dois iraquianos residentes em Bowling Green, no Kentucky, acusados de tentar enviar dinheiro e armas para a Al-Qaeda. Mas para comprovar a afirmação de que atentados cometidos por radicais islâmicos vinham sendo acobertados pela mídia americana, a Casa Branca prometeu divulgar uma lista dessas ocorrências. O próprio Trump, no fim de semana, tinha citado dois exemplos: os atentados de Paris, de 13 de novembro de 2015, que incluiu o massacre na casa de shows Bataclan, e o de Nice, em 14 de julho de 2016 - ambos ampla e exaustivamente cobertos por jornais e emissoras de TV dos EUA e de todo o planeta.

A gafe de Kellyanne, no entanto, foi um prato cheio para os programas de humor da TV americana durante a semana, que se divertiram com as acusações de Trump à “muito desonesta mídia”. Stephen Colbert, do programa “Late Show” sentenciou: “Deixemos que as vítimas do massacre de Bowling Green decidam afinal se morreram ou não”.

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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo