Isso é Brasil
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O quadro que dói mais

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Deve ter notado o usuário mais assíduo aqui deste Storia Brasil que há um mês tenho escolhido como título dos meus posts versos de canções imortalizadas por Belchior, o cantor e compositor cearense morto em 30 de abril. Obviamente trata-se de homenagem de fã, que cresceu e passou a adolescência ouvindo não só Belchior, como também aquela que pode ser considerada a mais genial safra de compositores da música popular brasileira - forçada aos subterfúgios poéticos para escapar da censura imposta por uma ditadura que assentou solidamente as bases do regime político corrupto e fisiológico que ameaça hoje nos engolir.

 Mas que relação poderia ter a obra de Belchior, ele mesmo um artista controvertido, intencionalmente “desengajado” e de ações duvidosas no aspecto pessoal - como qualquer ser humano, aliás -, com textos de comentários políticos dirigidos a uma rede social? Nada. E tudo ao mesmo tempo.

  As canções do rapaz latino-americano sem dinheiro no banco não faziam denúncias explícitas dos anos de chumbo como as da geração que lhe antecedeu, mas são ferramentas que demonstram a disposição de uma sociedade que não via à frente outro caminho que não fosse o da extraordinária felicidade coletiva a partir do exato momento que a redemocratização fosse colocada em marcha. Que parecia determinada a não morrer este ano, como morrera no ano passado.

 A obra de Belchior - recheada de referências a Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan - era uma espécie de marcador de carbono 14 da vontade de reverter o desespero que era moda em 76. Falava de amor, mas embutia um lirismo rebelde que fatalmente deveria levar à retirada do bode do meio da sala e ao consequente nirvana coletivo ao qual éramos vocacionados.  

 Pois Belchior morreu aos 70 anos, ouvindo música, quase recluso e voluntariamente exilado a mais de 4 mil quilômetros do local onde nasceu. Deve ter constatado nos últimos anos que o desespero de 76 não era exatamente um modismo. E que - como é perversa a juventude de nossos corações - eram falsas as ilusões de que éramos o país do futuro e, como sociedade, um amanhã inexoravelmente brilhante nos esperava. Que ainda somos os mesmo e vivemos como nossos pais.   

Não estou interessado em nenhuma teoria

 

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Não estou interessado em nenhuma teoria

De todos os esforços da defesa de MIchel Temer para tentar inocentá-lo, o mais patético é justamente o que gira em torno de tentar desqualificar o áudio que prova a relação promíscua entre ele e um dos mais poderosos empresários do País, o dono da JBS Joesley Batista. E isso por uma razão muito simples: desde que as gravações ganharam publicidade, deixando aliados e opositores perplexos, Temer nunca, jamais, rejeitou seu conteúdo.

 Tenha ou não o áudio adulterações ou edições - em busca das quais a cleptocracia instalada no Planalto foi atrás do perito que tentou provar, em 2010, que uma bolinha de papel lançada contra o candidato presidencial derrotado, José Serra, era um projétil quase mortífero -, Temer declarou várias vezes que, sim, recebeu Joesley nos porões de sua residência oficial, na calada da noite e ouviu dele a cândida admissão de que estava negociando o suborno de juízes, promotores e outros funcionários públicos. Em declarações públicas e entrevistas, Temer nunca contestou o que estava gravado nem disse que não tinha dito o que disse. Limitou-se a afirmar que não acreditou nas “bravatas” de Joesley, a quem qualificou de “falastrão”.

 Temer nunca disse que desestimulou Joesley a realizar novos encontros nos subterrâneos, como aquele. E assentiu ao ouvir a sugestão de que seu interlocutor voltasse ao mesmo porão palaciano em ocasiões futuras, entrando pela garagem, “as 11 da noite, 11 e meia” - um esquema que tinha “funcionado bem” naquela noite.

 Seria lógica a desqualificação do áudio se Temer tivesse afirmado, logo depois da deflagração do escândalo, que tinha reprovado com veemência as afirmações de Joesley - e a parte da conversa em que ele teria dito “considere-se preso, caro cidadão” tivesse sido suprimida pela edição do áudio. Mas isso não aconteceu.  

 Por isso o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que, diante das seguidas “confissões” de que Temer manteve reunião secreta com Joesley Batista, o resultado da perícia da gravação é absolutamente irrelevante. E pede que Temer seja submetido a depoimento. Pela lógica, Janot está coberto de razão. 

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