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Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca

Perplexidade com as denúncias contra Temer se soma ao embate entre Globo e Folha, cuja razão ainda não está clara  

Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca
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Passada a surpresa inicial, sobram dúvidas a respeito das circunstâncias que elevam a crise política brasileira aos seus maiores níveis dos últimos meses. É verdade que, ao longo da sequência de denúncias e escândalos que permeiam a história política recente do País, nunca as provas apresentadas foram mais explícitas e irrefutáveis.

  A perplexidade e o clima de “barata voa”, porém, parecem ter se acentuado porque o que se esperava era que as novas denúncias bombásticas e provas irrefutáveis tivessem como alvo o outro lado - com Luiz Inácio Lula da Silva ou Dilma Rousseff. E as controvérsias não se restringiram aos partidos políticos, mortadelas e coxinhas, advogados e promotores. Elas se estenderam até mesmo aos veículos de comunicação tradicionais.

 Uma das principais perguntas ainda não respondidas deste capítulo da crise diz respeito à posição da Rede Globo, em aberta contraposição a continuação de Michel Temer na chefia do governo. A primeira notícia sobre a gravação do diálogo entre Temer e Joesley Batista foi publicada no site do jornal O Globo e amplificada com estardalhaço no Jornal Nacional. A cobertura que seguiu nos veículos das Organizações Globo - incluindo emissoras de rádio da rede CBN, revista Época, portais G1 e Globo.com - esteve sempre muito longe de ser equilibrada. Sobressaem-se as análises enviesadas em favor da renúncia ou destituição de Temer.

 Na outra ponta, posicionaram-se os dois grandes jornais de São Paulo. A Folha chegou a dar em manchete, com base num laudo feito às pressas e de qualidade duvidosa, que a gravação feita por Joesley era “inconclusiva”. Temer aproveitou a manchete para desqualificar a prova contra ele. A Globo, por meio do site de seu jornal e do Fantástico, praticamente ridicularizou o perito contratado pela Folha. O Estadão, menos enfático, também contratou perícia e encontrou problemas no àudio, mas adotou uma posição mais objetiva do ponto de vista político: neste momento, em que pese a gravidade das denúncias, é melhor para a economia do País a manutenção de Temer no Planalto e a retomada do esforço pelas reformas, principalmente as da Previdência e trabalhista.

 A explicação menos fantasiosa seria a de que Globo e jornais paulistas estariam em discordância justamente sobre a condição de Temer de conduzir as reformas: para a Globo, a denúncia viria à tona de todo modo e isso tiraria do governo a capacidade de aprovar sua pauta econômica; para a Folha, a mudança de comando atrasará ainda mais as reformas.

(O título deste post é um verso da canção “Conheço o meu lugar”, de Belchior, que morreu em 30 de abril)

Guardado por Deus, contando vil metal...

Roberto Lameirinhas
há 5 meses7.1k visualizações

Sócio da JBS diz ter gravações de Temer e Aécio pedindo propina e aprofunda crise política que parece não ter fim

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No momento em que escrevo este texto, completam-se apenas cinco horas da divulgação do teor da delação do sócio da JBS Joesley Batista. Segundo jornal “O Globo”, há gravações de áudio e vídeo, feitas pelo próprio Batista e pela Polícia Federal, que comprovariam recebimento de propina paga pela JBS a Michel Temer e a  Aécio Neves - é muito provável que surjam mais nomes conhecidos no âmbito dessa denúncia.

 Os próximos dias prometem trazer emoções fortes e, a julgar por situações anteriores da Operação Lava Jato, não se descarta a cassação dos políticos envolvidos, incluindo o que ocupa a cadeira da presidência no Palácio do Planalto. A profundidade da nova etapa da crise política contínua que se arrasta desde 2014 só vai ser definida com os próximos movimentos das peças no Executivo federal, no Congresso e nas instâncias do Judiciário que tratam da Lava Jato. Mas já há consequências claras do escândalo desde suas primeiras horas.

 A primeira é que tanto Temer quanto Aécio emitiram notas pífias e genéricas em resposta às acusações. Ambos admitem encontros com Joesley Batista, mas negam que tenham cometido qualquer ato ilícito. A situação política de Aécio vai ainda embaralhar as cartas de seu partido, o PSDB, em relação às próximas eleições.

 As denúncias também devem causar impacto devastador sobre as reformas promovidas pelo governo Temer, principalmente a da Previdência, que, em razão da impopularidade, já enfrentava brutal resistência na Câmara e no Senado. Ainda que consiga se sustentar no poder, o presidente deve assistir ao derretimento rápido de sua base aliada. Na primeira reação importante à divulgação das acusações, Ronaldo Caiado, líder do DEM, um dos principais partidos que apoiam o governo, fez declarações pedindo a renúncia imediata do presidente e emenda à Constituição para a convocação de eleições.

 Outro efeito do escândalo deve ser uma nova freada no movimento de recuperação da economia, causada pelo ambiente de instabilidade política e pela percepção generalizada de que esquemas de corrupção infectaram todos os níveis das instituições do País.

 A provável homologação da delação premiada pelo STF levantará o sigilo das gravações cujo teor foi transcrito pelo jornal carioca e a divulgação da voz dos envolvidos certamente causará nova onda de turbulência.

 As possibilidades de combinações de cenários políticos e econômicos - levando-se em conta ainda que a Lava Jato segue em seu movimento - ainda são incontáveis, mas a certeza de o fim do túnel ainda está distante. 

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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo