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Os estatutos da suruba

Por Roberto Lameirinhas

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É preciso um grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo, pra deixar as coisas bem claras. “Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada”, estabelece o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

 O digno homem público tem toda a razão. Chega de politicamente correto. A primeira e principal regra da suruba é que suruba não tem regra. Se vale pra um, tem de valer pra todo todo mundo, mais ou menos como acontece com o foro privilegiado.

 E Jucá vai mais longe: jornalista que cobra punição a político corrupto ou que é contrário à manutenção de foro privilegiado a chefes dos poderes do Estado é nazista. “Antes, a turba fazia linchamentos. Hoje quem tenta fazer linchamentos é a imprensa e setores da sociedade.”

 Jucá está indignado com a interpretação maldosa de que conspirou contra a Operação Lava Jato, buscou estratégias para a impunidade dele e de aliados ou que agiu de má-fé para o objetivo de “pôr o Michel” e ajudar a “delimitar tudo onde está”. É um injustiçado que sempre pensou em “estancar a sangria”, mudando os rumos da economia do País.

 “Já mudamos todos os indicadores macroeconômicos do Brasil. Essa era a sangria. Falta mudar os microeconômicos, o desemprego e o endividamento”, disse à “Folha de S. Paulo”, esclarecendo falas anteriores, que sempre podem ser deturpadas pelas “vivandeiras e carpideiras” da imprensa.

 O senador não é homem de se acovardar com as adversidades e seu senso de justiça abomina discriminações. Por isso se indigna tanto com o fato de líderes do Poder Executivo serem protegidos pelo foro privilegiado e os chefes dos demais poderes, não. “Quero dizer aqui com muita tranquilidade aos meus adversários e a quem quer me marcar com uma estrela no peito: eu não vou morrer de véspera, eu não me entrego, eu sei  que eu defendo, eu sei o que eu fiz e sei o que vou fazer”, esclarece.

 E que não passe pela cabeça de ninguém colocar normas na suruba.

Punição exemplar

Por Roberto Lameirinhas

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Acuado por suspeitas de que estaria agindo em favor de Wellington Moreira Franco, ao nomeá-lo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República - o que dá a ele foro privilegiado após ser citado em delações da Lava Jato -, o presidente  Michel Temer anunciou as “regras” de “punição” a membros do governo envolvidos com o escândalo.

 “Se houver denúncia, o que significa um conjunto de provas que eventualmente possam conduzir ao seu acolhimento, o ministro que estiver denunciado na Lava Jato será afastado provisoriamente. Depois, se acolhida a denúncia, e aí sim, o ministro se transformar em réu da Lava Jato, o afastamento é definitivo", disse Temer. "Se alguém se converter em réu estará afastado independentemente do julgamento final", acrescentou. "Faço essa declaração para dizer que o governo não quer e não vai blindar ninguém. Apenas não pode aceitar que a simples menção inauguradora de um inquérito, para depois inaugurar uma denúncia, para depois inaugurar um processo, já seja de igual motivo a incriminá-lo em definitivo e em consequência afastar o eventual ministro."

 A declaração de Temer faria todo o sentido, caso tivesse algum efeito prático. Em média, entre a delação e o acolhimento formal da denúncia, no caso da Lava Jato, o processo tramita por dois anos. Até onde se sabe, o mandato de Temer - e consequentemente de seu governo - se encerra poucos meses após a eleição de 2018. A ameaça, apesar do tom pretensamente moralizador, é portanto inócua.

 Além do próprio Temer - acusado por delatores de receber doações de campanha para ele e para afilhados políticos da construtora Odebrecht - e de Moreira Franco pelo menos dez de seus ministros são citados em inquéritos e depoimentos da Operação Lava Jato. Todos, obviamente, negam ter cometido irregularidades.

  Um dos mais conhecidos desses citados é o ministro das Relações Exteriores, José Serra, beneficiário de doação milionária da empreiteira. Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, enfrenta processos por improbidade administrativa, referentes à época em que foi prefeito de São Paulo. Ronaldo Nogueira, do Trabalho; Maurício Quintella, dos Transportes; e Eliseu Padilha, da Casa Civil, são alguns dos outros que enfrentam problemas com a Justiça.

 A menos que se disponha a concorrer à presidência em 2018 - e vença a disputa -, a promessa de punição de Temer a políticos envolvidos com corrupção terá efetividade parecida com aquelas sentenças que condenam réus a mais de uma pena de morte ou de prisão perpétua.  

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