Isso é Brasil
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é Brasil
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é Brasil
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

'Pobres de direita'... aos montes

Por Roberto Lameirinhas

'Pobres de direita'... aos montes
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Com base em pesquisas realizadas de novembro a janeiro, um estudo da Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, concluiu nos últimos dias algo que qualquer morador da periferia de São Paulo cansa de saber desde que nasce: o morador dos bairros mais periféricos da capital tem tendência social e economicamente conservadora, considera o Estado pouco eficiente, nutre valores mais próximos aos do liberalismo do que aos do coletivismo socialista e, talvez como razão de tudo isso, mal distingue conceitos políticos como “direita”, “esquerda”, “burguesia” ou “proletariado”.

Não se trata de nenhuma guinada recente na direção do pensamento liberal, mas da constatação de valores arraigados em décadas de abandono do Estado - ao qual se atribui apenas o abuso na cobrança de impostos, com pouca ou nenhuma contrapartida, e os grandes escândalos de corrupção. Códigos morais e éticos próprios, ditados por valores locais estabelecem os limites da liberdade individual e, no embate conceitual entre liberdade e ordem, a ordem prevalece - uma vez que traz consigo a noção de segurança.

 A pesquisa não abrangeu esses pontos, mas qualquer morador pode constatar que a periferia também é  campo mais fértil para o conservadorismo religioso e, consequentemente, de costumes. Em geral, seus moradores reagem mais negativamente aos avanços de agendas de direitos humanos, feministas ou LGBT. Ou seja, é terreno promissor para detentores de discursos politicamente reacionários ou obscurantistas.

 Os bairros periféricos abrigam, sim, um número considerável de bases de organização política, mas a parcela da população efetivamente engajada a elas é ínfima. A preocupação maior dos moradores é com o funcionamento do sistema de transporte e os equipamentos de saúde e educação. Em casos pontuais, episódios de violência policial causam protestos. Mas há pouco discernimento sobre a área de atuação das esferas e níveis de poder - atribuições federais, estaduais ou municipais quase não se distinguem.    

 Essa situação, mostra o estudo da fundação, exacerbou-se nos últimos anos. De acordo com a conclusão da Perseu Abramo, “o padrão de vida na periferia melhorou como resultado direto das políticas dos governos petistas” e isso levou essa população a “se identificar mais com a ideologia liberal, que sobrevaloriza o mercado”.

 Numa entrevista recente à Rádio Atual, o rapper Mano Brown, líder dos Racionais MC’s e considerado um dos mais importantes intérpretes da “consciência coletiva” da periferia, analisou o fato de João Doria ter recebido 48% dos votos no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, na eleição para a prefeitura. “Quem votou no Doria, pensa como ele. O cara que mora em uma comunidade e vota em um aristocrata, rico de raiz, que nunca sofreu nada, se sente como o Doria. No governo Lula, essa pessoa comprou um carro, uma moto, um celular caro, agora ela quer trancar tudo com um cadeado e colocar a polícia na porta para defender. Eu converso com as pessoas nas ruas. Tem quem diga que não leva o filho no CEU (Centro Educacional Unificado) porque é onde estão as 'piores crianças'. É a mentalidade elitista do brasileiro."

 

   

Isenção em dúvida? Qual dúvida?

Roberto Lameirinhas
há 7 meses61.7k visualizações

Por Roberto Lameirinhas

Reportagem publicada no começo da semana pelo site brasileiro da BBC informa que, de acordo com respeitados juristas do País, o vínculo de amizade entre Michel Temer e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes põe em dúvida a isenção do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral - do qual Mendes é presidente - que, em tese, poderia remover Temer do Palácio do Planalto. Mas quem conhece minimamente os antecedentes de Mendes sabe que não há nenhuma “dúvida” quanto a esse tema.

Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸
Isenção em dúvida? Qual dúvida?

 Exceto por alguma hecatombe política de última hora, o julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no TSE está fadado a se converter na montanha que deve parir um rato. Em último caso, se transformará num espetáculo midiático que terá Gilmar Mendes como um dos protagonistas e se tornará uma sequência interminável de dilações e ilações - até que 2018 chegue e faça qualquer sentença inócua, na prática.

 Duas ações de caráter eminentemente político deixaram isso muito claro nos últimos dias.

 Na primeira delas, o autor da acusação de abuso de poder econômico na eleição de 2014, o PSDB, indicou qual deve ser a diretriz da denúncia: separar a candidatura de Dilma à presidência da de Temer à vice-presidência. Com essa estratégia, a ideia é conseguir no TSE a declaração de inelegibilidade da primeira e a absolvição do segundo. O argumento é de que Dilma tinha consciência das doações milionárias feitas à sua campanha por empreiteiras investigadas na operação Lava-Jato, mas Temer, não.

 A segunda ação indicadora da “operação abafa” emergiu nas declarações do próprio Gilmar Mendes e de caciques do PSDB como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os efeitos negativos para a estabilidade política e econômica do País de uma nova mudança de poder - causada por uma eventual cassação de Temer.

 Defensor e avalista do processo que levou Dilma ao impeachment em 2016, Mendes agora tem declarado que os efeitos do julgamento no TSE sobre a governabilidade do País serão levados em conta na sentença do tribunal. Ou seja, Temer pode dormir tranquilo.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
tudoexplicado
Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo