Isso é Brasil
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é Brasil
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é Brasil
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Punição exemplar

Por Roberto Lameirinhas

Punição exemplar
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Acuado por suspeitas de que estaria agindo em favor de Wellington Moreira Franco, ao nomeá-lo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República - o que dá a ele foro privilegiado após ser citado em delações da Lava Jato -, o presidente  Michel Temer anunciou as “regras” de “punição” a membros do governo envolvidos com o escândalo.

 “Se houver denúncia, o que significa um conjunto de provas que eventualmente possam conduzir ao seu acolhimento, o ministro que estiver denunciado na Lava Jato será afastado provisoriamente. Depois, se acolhida a denúncia, e aí sim, o ministro se transformar em réu da Lava Jato, o afastamento é definitivo", disse Temer. "Se alguém se converter em réu estará afastado independentemente do julgamento final", acrescentou. "Faço essa declaração para dizer que o governo não quer e não vai blindar ninguém. Apenas não pode aceitar que a simples menção inauguradora de um inquérito, para depois inaugurar uma denúncia, para depois inaugurar um processo, já seja de igual motivo a incriminá-lo em definitivo e em consequência afastar o eventual ministro."

 A declaração de Temer faria todo o sentido, caso tivesse algum efeito prático. Em média, entre a delação e o acolhimento formal da denúncia, no caso da Lava Jato, o processo tramita por dois anos. Até onde se sabe, o mandato de Temer - e consequentemente de seu governo - se encerra poucos meses após a eleição de 2018. A ameaça, apesar do tom pretensamente moralizador, é portanto inócua.

 Além do próprio Temer - acusado por delatores de receber doações de campanha para ele e para afilhados políticos da construtora Odebrecht - e de Moreira Franco pelo menos dez de seus ministros são citados em inquéritos e depoimentos da Operação Lava Jato. Todos, obviamente, negam ter cometido irregularidades.

  Um dos mais conhecidos desses citados é o ministro das Relações Exteriores, José Serra, beneficiário de doação milionária da empreiteira. Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, enfrenta processos por improbidade administrativa, referentes à época em que foi prefeito de São Paulo. Ronaldo Nogueira, do Trabalho; Maurício Quintella, dos Transportes; e Eliseu Padilha, da Casa Civil, são alguns dos outros que enfrentam problemas com a Justiça.

 A menos que se disponha a concorrer à presidência em 2018 - e vença a disputa -, a promessa de punição de Temer a políticos envolvidos com corrupção terá efetividade parecida com aquelas sentenças que condenam réus a mais de uma pena de morte ou de prisão perpétua.  

Aposta no dinheiro novo

Por Roberto Lameirinhas

Aposta no dinheiro novo
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Dinheiro novo na praça sempre é bom. A decisão do governo Temer de liberar os valores das contas inativas do FGTS é uma tentativa válida de estimular a economia num momento em que os índices mostram sinais de uma reação mais tímida do que a necessária para pôr fim à crise que se prolonga há quase três anos. Para muitos economistas, a margem de manobra da equipe econômica para promover essa reativação vai se estreitando rapidamente e a injeção dos R$ 43 bilhões parados nas contas dos trabalhadores talvez seja um dos últimos recursos antes de medidas mais desesperadas, que resultariam em aumento da inflação.

 O governo tem encontrado dificuldade de convencer o mundo real da economia de que há razões para otimismo em relação à recuperação em curto prazo. Embora aquilo que se convencionou chamar de “mercado” tenha reagido bem às iniciativas de reequilíbrio das contas públicas, esforços para reformar a previdência e a legislação trabalhista são vistos com desconfiança pelo conjunto da sociedade - o que, em tese, pode ser fonte de turbulência política e, consequentemente, incertezas econômicas. A isso, some-se os efeitos ainda imprevisíveis das próximas fases da Operação Lava Jato.

 O índice de desemprego resiste em cair e as vendas do varejo seguem registrando declínios mês a mês pelo menos desde novembro.

 Diante desse ambiente, a aposta do governo é que o dinheiro das contas inativas seja suficiente pelo menos para reverter o sentido negativo da máquina do consumo, com a redução das cifras do endividamento das famílias.  Esse mesmo objetivo esteve na raiz das mudanças anunciadas pelo governo nas regras de rolagem da dívida rotativa do cartão de crédito.

 Como o consumo esteve na linha de frente da alavancagem da economia durante os governos de Lula e Dilma Rousseff, o gabinete de Temer espera que, com o nome limpo, os consumidores voltem a fazer sua parte no ciclo econômico, levando à recuperação das vendas e do emprego formal. Ainda que a liberação desses recursos para o cidadãos seja feito gradualmente, a partir de 10 de março.

 Há riscos nesta aposta, mas eles são menores do que a outra opção de injetar dinheiro novo na economia no atual quadro de falta de investimento: colocar as máquinas do Banco Central para imprimir cédulas.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
tudoexplicado
Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo