Isso é Brasil
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Tá. Tá legal, então...

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E a gente vai levando a vida enquanto a vida leva a gente. Tanto, por tanto tempo e com tamanha força que vamos nos tornando meio cínicos quando não completamente apáticos. A gente se acostuma. Vai se habituando mesmo aos maiores absurdos, às grandes atrocidades, à tragédia contínua e persistente. Relatam testemunhas que, em plena 2.ª Guerra, nos intervalos dos bombardeios de Dresden, carteiros colocavam a correspondência diante das ruínas dos edifícios atingidos. Cumpriam sua rotina, só isso.

 Há alguns anos no Brasil temos vivido experiência parecida em relação à política que nos atinge, essa nossa Dresden diária e permanente. Mesmo tendo consciência do absurdo que isso representa, nosso senso prático acaba adotando como normal, por exemplo, o fato de o presidente de um tribunal de alta instância atuar na verdade como advogado de defesa do réu - como ocorreu no teatro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no julgamento presidido por Gilmar Mendes sobre a possível cassação da chapa Dilma-Temer.

  Note-se: em qualquer julgamento qualquer decisão deve ser considerada normal. O que talvez (como disse, às vezes a gente é cínico) soe estranho tecnicamente é a atuação do magistrado na defesa do réu. Mas, para quem tem familiaridade com os nomes envolvidos, nada do que se passou no tribunal surpreende. Para quem não tem, pouco importa.

 Nos acostumamos com a desfaçatez das justificativas esfarrapadas dos agentes públicos. com o “não me recordo”, “não conheço”, “nunca fui lá”, “nem sabia que ele tinha avião” de cada dia. O suco gástrico corrói um pouco nosso estômago no começo, mas depois a gente se ajeita. Temos mais o que fazer.

  

Roubaram tudo. Até os ossos de Garrincha

 

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Roubaram os ossos de Garrincha. Ou, se não roubaram, negligenciaram, sumiram com eles. O fato é que eles desapareceram do cemitério de Magé, no Rio, onde estavam enterrados.

Roubaram tudo. Até os ossos de Garrincha

 O incidente é a mais perfeita tradução do Brasil de hoje. Acabaram com tudo. Roubaram tudo, até os ossos do Mané.

 Difícil entender o que alguém poderia ganhar violando uma sepultura e tirando dela os restos de um homem que encarnou durante toda a sua vida a ingenuidade, a alegria e uma certa inocência quase infantil do brasileiro mais humilde. No entanto é fácil perceber o quanto o simbolismo é forte: roubaram tudo, até a inocência.

 Ainda que não fosse pela gravidade das revelações sobre nossos costumes políticos, se ainda nos tivesse sobrado algum ânimo - uma última dose de disposição -, o sumiço da ossada de Garrincha seria motivo suficiente para que a gente parasse tudo, em todo o País, do Oiapoque ao Chuí, se armasse de baldes, vassouras e escovões e promovesse a grande e catártica faxina nacional antes de começarmos a fazer qualquer coisa outra vez.

 Mas isso não vai acontecer. Não sabemos que destino teve os ossos, incluindo os das pernas tortas. Só sabemos, resignados, que roubaram tudo. Até os ossos do Mané.

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Hikayeyi okudun
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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo