Isso é Brasil
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é Brasil
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é Brasil
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Um gabinete com a cara de Trump (1)

Por Roberto Lameirinhas

Sutileza nunca foi o forte de Donald Trump. Aliás, está longe de ser errado atribuir ao perfil de viés machista, elitista e xenofóbico a grande quantidade de votos que lhe permitiu conquistar a vitória no Colégio Eleitoral que define o presidente da República dos EUA - apesar de ter obtido uma votação nacional menor do que a da rival democrata, Hillary Clinton, em novembro.

Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

A escolha do gabinete que toma posse em janeiro parece sepultar as previsões de que o estilo apresentado pelo bilionário se restringiria à campanha eleitoral - e a gravidade do cargo político mais importante do planeta acabaria por moderar gestos e discursos.

Um gabinete com a cara de Trump (1)

A mais polêmica das nomeações de Trump, para o Departamento de Estado - considerado o segundo cargo mais poderoso de Washington -, ocorreu no começo da semana. O CEO da ExxonMobil, Rex Tillerson, visto como um radical de direita até para líderes do grupo ultraconservador Tea Party, foi o escolhido.

Tillerson, como representante da companhia petrolífera, fechou contratos com valores na casa dos bilhões de dólares com o presidente russo, Vladimir Putin, e é tido como um dos americanos mais próximos do nada transparente setor energético de Moscou - marcado, desde o fim da União Soviética, pela influência da então emergente máfia russa, casos de espionagem, assassinatos e sequestros. A proximidade com Putin resultou na concessão ao americano da mais alta comenda que a Rússia pode conceder a um estrangeiro.

Importante lembrar que a indicação de Tillerson se deu em meio a uma onda de suspeitas investigadas por várias agências americanas da ação de hackers russos para influenciar - em favor de Trump - as eleições americanas.

Figura ascendente no Partido Republicano e rival de Trump nas primárias para as eleições de novembro, o senador Marco Rubio não poupou a escolha do presidente eleito. “Ser um ‘amigo de Vladimir (Putin)’ não é um atributo que eu esperava de um secretário de Estado”, postou em sua conta no Twitter.

Fontes próximas a Trump declararam a jornais americanos que a escolha se deu por recomendação da secretária de Estado do governo de George W. Bush, Condoleezza Rice, e do secretário de Defesa de Bush e de Barack Obama, Robert Gates. O problema é que tanto Condoleezza quanto Gates prestam consultoria à ExxonMobil. “Tillerson paga Rice e Gates por ‘consultoria’ e eles, em troca, recomendam-no a Trump. Bem-vindos ao terreno pantanoso, senhoras e senhores”, comentou, em seu site, a revista Mother Jones, especializada em denúncias sobre a influência de corporações sobre o governo americano.

A escolha de Tillerson por Trump ocorreu ainda no calor de protestos da China contra a decisão do presidente eleito de enviar sinais de que poderia reconhecer a independência de Taiwan - tema delicadíssimo na relação com a China, que considera a ilha uma província rebelde. Trump deu de ombros para a reação de Pequim, dando a entender que fará pouco para evitar o confronto diplomático entre as duas potências.

Caso siga à risca a linha traçada por Trump durante a campanha eleitoral, a política externa comandada por Tillerson deve ainda afastar-se da linha do multilateralismo seguida por Obama nos últimos oito anos. Além do polêmico muro que prometeu erguer na fronteira com o México para conter a imigração ilegal, a futura administração americana deve contestar tratados de comércio - como o Nafta, com México e Canadá, e o abrangente Tratado Trans-Pacífico.

Deve ainda adotar posições mais conservadoras em órgãos da ONU e da Otan. E, como pode deixar óbvia a escolha de um homem do petróleo para o comando de sua diplomacia, rever as metas do Acordo de Paris para a redução de emissão de carbono.

Só há uma certeza: vai piorar

Por Roberto Lameirinhas

Nada tem sido muito claro no cenário político nacional dos últimos anos, mas a fumaça negra que a delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho lança sobre o futuro de Brasília tem densidade e espessura sem precedente.  Entre os apelidos jocosos e os detalhes assombrosos das relações entre interesses públicos e privados, as revelações dos últimos dias não comprometem só os atuais ocupantes do Planalto, dos edifícios da Esplanada dos Ministérios e das sedes legislativas, mas principalmente embaralham as cartas para a disputa de 2018.

Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸
Só há uma certeza: vai piorar

O que mais aterroriza, porém, é que se trata apenas da primeira das 77 delações que executivos da empreiteira devem fazer nos próximos meses aos investigadores da Operação Lava-Jato. Havia meses, assessores, jornalistas e lobistas já especulavam sobre os nomes que surgiriam em meio às delações. 

A presença de Michel Temer entre os supostos beneficiários de subornos pagos pela Odebrecht já vinha sendo mencionada desde os primeiros meses de 2016. O que não se esperava era que a delação viesse por meio de um relato tão minucioso, com o qual Melo Filho descreve, por exemplo, o jantar no Palácio do Jaburu, de 2014, durante o qual foi persuadido pelo então vice-presidente a doar R$ 10 milhões para candidatos do PMDB, do qual Temer era o líder máximo.

O presidente Temer, por meio da assessoria, nega irregularidade e diz que todas as doações estão incluídas nas prestações de conta das respectivas campanhas do PMDB. Mas a questão centrar não é essa - ao menos na visão da Odebrecht e de boa parte da cidadania. 

Declarada ou não, doação de empresa privada a agente público implica contrapartida relacionada a negócios com o poder público. Difícil acreditar que empreiteiras desse porte efetivem doações eleitorais motivadas pelo fervor ideológico - levando-se em conta que o PMDB ou qualquer outro grande partido que atue no Brasil tenha algum. 

Só há uma certeza: vai piorar

Quase ao mesmo tempo em que as delações de Melo Filho vêm à tona, se reforçam os indícios de que outros possíveis candidatos ao Planalto em 2018 estão para engrossar significativamente a lista de envolvidos em doações suspeitas. Pela primeira vez a sombra da ilegalidade ameaça o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, cujo caixa de campanha também teria sido irrigado pela construtora, de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo. Alckmin é - ao lado de Aécio Neves e José Serra, ambos também acusados de receber propina - um dos principais nomes do PSDB para a eleição presidencial de 2018.

Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convertido em réu em pelo menos quatro investigações de corrupção, praticamente exclui-se da campanha quase todos os nomes mais cotados para o Planalto. Como consequência natural, fica aberto o caminho para aventureiros que sejam identificados com o discurso da negação da política tradicional - uma tendência que se verificou nas eleições municipais de 2016.

O drama político nacional, contudo, pode ganhar proporções ainda mais catastróficas nas próximas semanas, com a homologação da delação premiada do herdeiro da construtora, Marcelo Odebrecht. Há um certo clichê estabelecido nos últimos meses na grande mídia, segundo o qual a expectativa de uma delação de Marcelo Odebrecht estava causando o desabastecimento de calmantes nas drogarias de Brasília. O problema, para quem vive no Brasil, é que essa imagem está longe de ser exagerada.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
tudoexplicado
Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo