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Ao vivo é muito pior

Fustigados por problemas econômicos persistentes e violentos protestos de rua, alicerces do governo de Maduro começam a apresentar sinais de erosão  

Ao vivo é muito pior
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O governo venezuelano de Nicolás Maduro dá sinais de rápido derretimento ante o aprofundamento da crise econômica que empobrece ainda mais a população e causa a escassez de todo tipo de mercadoria no país, de sabonete e papel higiênico à farinha milho que é o principal ingrediente da arepa, base da alimentação dos cidadãos das classes C, D e E. Aferrado ao poder e resistindo aos protestos violentos que exigem sua saída - e já resultaram em um número estimado de quatro dezenas de mortos -, Maduro colhe a tempestade dos erros de semeadura de Hugo Chávez e do chavismo, que falharam na tarefa de libertar a economia da Venezuela da dependência do petróleo.

 Tudo correu razoavelmente bem enquanto o barril do produto estava cotado na faixa dos US$ 100 no mercado internacional, mas quando essa cotação se reduziu para o nível dos US$ 30, a deterioração da situação política se tornou inevitável. Resta a Maduro a aposta na formação de uma assembleia constituinte que contraria todos os conceitos de sufrágio universal - reservando para grupos favoráveis ao governo a maioria das cadeiras no novo fórum. Não como interpretar tal passagem de rolo compressor a não ser como um golpe de Estado, para o deleite de inimigos mortais do chavismo tanto no interior das fronteiras da Venezuela quanto fora delas.

 Incapaz de apresentar e manter pactos que garantam um mínimo de governabilidade com a sociedade venezuelana, Maduro caminha na direção do precipício com suas próprias pernas e não em razão das ações do heterogêneo bloco que lhe faz oposição - composto por cidadãos genuinamente revoltados com a situação econômica e política do país e líderes de movimentos oligárquicos que sustentaram os não menos desastrosos governos que antecederam ao de Chávez.

 Em várias ocasiões, me reuni na Venezuela com o historiador e jornalista Alberto Garrido, que era considerado um dos maiores estudiosos do período de ascensão de Chávez ao poder e relutava em qualificar o chavismo como um movimento de esquerda. Garrido, que morreu de câncer precocemente há alguns anos, via no chavismo uma doutrina resultante de uma aliança cívico-militar mais próxima do peronismo argentino - baseada no centralismo nacionalista e sustentado pela força armada.

 E foi sobre os alicerces fundados pelo companheiros de armas do Exército que Chávez sobreviveu até mesmo à tentativa de golpe de 2002. O governo de Maduro está alicerçado nestas mesmas bases, mas - apesar dos constantes afagos aos militares - elas começam agora a apresentar sinais mais claros de erosão.

("Ao vivo é muito pior" é um verso da canção Apenas um rapaz latino-americano, do cantor e compositor Belchior, que morreu em 30 de abril)

Um rapaz novo encantado

Roberto Lameirinhas
há 5 meses9.4k visualizações

Emmanuel Macron se converte no mais jovem presidente francês carregando o peso de não ter direito a cometer erros

Depois de confirmar o favoritismo que apresentava nas pesquisas, Emmanuel Macron, toma posse no domingo (14) como o mais jovem presidente da República da França - tem 39 anos - e alguns dos maiores desafios a serem enfrentados pelos franceses desde a 2.ª Guerra. Caberá a ele encontrar solução para a questão dos refugiados - que ameaça o apoio popular à integração europeia -, do terrorismo fundamentalista islâmico que escolheu a França como alvo preferencial nos últimos anos e do desemprego que afeta 10% da população economicamente ativa do país.

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Um rapaz novo encantado

 E terá de fazer isso sem uma base parlamentar própria. À frente de seu movimento Em Marcha, Macron também será o primeiro presidente da Quinta República - o período que se sucedeu à Constituição de 1946 - que não provém de nenhum dos dois maiores partidos, gaullista e socialista. O presidente eleito rejeita rótulos de direitista ou esquerdista e diz que pretende governar com os melhores quadros entre os dois pólos do espectro ideológico.

 De fato, Macron atraiu no segundo turno da eleição presidencial os votos de eleitores dos partidos tradicionais temerosos do triunfo da candidata da extrema direita, Marine Le Pen - que tinha uma plataforma anti-imigração, anti-Europa e economicamente protecionista. Na crueza dos números, a vitória foi arrasadora, 66% a 34%. Mas a votação da ultra-direita dobrou desde 2002, quando o pai de Marine, Jean-Marie Le Pen obteve menos de 17% e foi esmagado por Jacques Chirac depois de surpreender e chegar ao segundo turno.

 Marine Le Pen foi catapultada ao segundo turno de 7 de maio depois de mais um ataque terrorista na França - o sexto em dois anos - às vésperas da primeira votação, de 23 de abril. O risco maior agora, segundo analistas da França e de fora dela, é que o eventual fracasso do governo de Macron impulsione ainda mais a extrema direita para as próximas eleições presidenciais, o que representaria, provavelmente, o fim definitivo dos planos de integração europeia.

(“Um rapaz novo encantado” foi extraído de um verso da canção “Mucuripe”, composta em parceria com Raimundo Fagner por Belchior, que morreu em 30 de abril) 

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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo