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O correto e o politicamente correto

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há 9 meses3 visualizações
O correto e o politicamente correto
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Trump: "Eu, francamente, não tenho tempo para ser politicamente correto" 

Por Roberto Lameirinhas

Às vezes o que se chama hoje de “politicamente correto” nada mais é do que o próprio termo indica: a atitude menos ofensiva a se adotar diante de situações que envolvem crenças religiosas, raça, gênero, questões ambientais, relações internacionais e um sem número de outros elementos intrínsecos de sociedades que se pretendem diversas e democratas. A reação ao exagero na aplicação do conceito pode ser legítima na medida em que ela impõe travas na amplitude do debate, mas a oposição radical a ele quase sempre deságua no discurso de ódio.

Conceitos acadêmicos tendem a sofrer distorções já no ambiente de estudos em que são criados. Ao Brasil, chegam trucidados.

Enquanto a “correção política” reconhece, por exemplo, no movimento feminista o mérito dos poucos avanços conquistados pelas mulheres nas últimas décadas, seus opositores atribuem às “feminazis” - termo cunhado em programas radiofônicos de comentários chulos dos EUA - a atual “opressão aos homens” brasileiros.

Assim como processos lentos e insuficientes de ação afirmativa em relação aos negros são tomados pelos combatentes do “politicamente correto” no Brasil como atos de “racismo reverso”, uma tese tão esdrúxula que não é levada a sério nem mesmo entre integrantes de grupos supremacistas brancos americanos.

Na esteira da oposição ferrenha à tese da correção política surgem as críticas aos “direitos humanos” - sem que se leve em conta o avanço civilizatório de sua instituição - e a ascendência de líderes protofascistas que fazem apologia à tortura e à discriminação. Em tempos de criminalidade alta e educação baixa, no âmbito interno, e onda de terror e xenofobia, no externo, a retórica da revolta com o politicamente correto é fácil e seu simplismo se dissemina rapidamente pela internet.

Fora do Brasil não é diferente. Na Europa, a reação ao politicamente correto tem mostrado sua força em países como França, Grã-Bretanha, Itália e Alemanha - onde a ultradireita vai crescendo na medida em que o tempo vai apagando da memória o terror do nazifascismo. Nos EUA, Donald Trump surgiu como o campeão no combate ao politicamente correto e, com sua campanha contra chineses, mexicanos e muçulmanos, acabou eleito presidente.

“Eu me recuso a ser politicamente correto”, disse Trump ao anunciar que expulsaria todos os muçulmanos dos EUA após um cidadão de origem afegã ter aberto fogo numa boate gay da Flórida, matando 49 pessoas - acusando Barack Obama e Hillary Clinton de terem colocado a correção política acima das necessidades de segurança do país ao ter aberto as portas a refugiados estrangeiros.

A maior parte dos americanos nunca tinham ouvido o termo “politicamente correto” antes de 1990, quando o New York Times publicou um artigo sobre o tema, assinado pelo repórter Richard Bernstein sobre a restrição do debate nas universidades do país com o aumento da pressão pelo conformismo e o discurso uniformizado da “ideologia não oficial da academia”. A direita política rapidamente instrumentalizou a tese, opondo-se à “forças poderosas que se esforçam para suprimir verdades inconvenientes da linguagem política” - como analisa artigo recente publicado pelo jornal britânico The Guardian. Não demorou para que insultos chulos das ruas surgissem na mídia conservadora: “Vadia”, “cadela”, “porco”, “veado”, etc.

No Brasil, o discurso anti-esquerdista e a situação política interna acrescentaram os termos “comuna” e “petralha” à lista de insultos. Em nome do combate ao politicamente correto, não faltou nem mesmo quem defendesse o assassino que divulgou um manifesto de misoginia antes de matar a ex-mulher, o filho de 8 anos e outras dez pessoas da mesma família numa festa de fim de ano em Campinas (SP) - sob o argumento de que ele vinha sendo “oprimido” pelo “sistema de justiça feminista”. Nem quem atacasse a vítima do espancamento de dois jovens violentos que tentaram bater em dois homossexuais numa estação de metrô de São Paulo no dia de Natal. E nem se considera aqui as comemorações públicas das mortes em chacinas de presídios.

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Por Roberto Lameirinhas

Dois fatos se somaram nos últimos dias à longa lista dos eventos que opõem radicais islâmicos a extremistas da direita ocidental. No primeiro deles, um jihadista que jurou lealdade ao Estado Islâmico lançou um caminhão roubado contra uma feira de Natal de Berlim, causando a morte de 12 pessoas e ferindo outras 50. No segundo - mais simbólico do que prático, mas de retórica eloquente -, uma votação do Conselho de Segurança da ONU condenou a política israelense de expansão dos assentamentos em territórios palestinos. Neste caso, o que ampliou a irritação da extrema direita foi a negativa do governo americano de Barack Obama de usar seu poder de veto no Conselho para barrar a iniciativa.

Atentados terroristas em território europeu têm-se convertido em dura rotina no momento em que grupos proto-fascistas de vários países do continente se insurgem contra a chegada de ondas de candidatos ao refúgio principalmente da África, do Oriente Médio e da Ásia Central. A chanceler alemã, Angela Merkel, defensora de uma política de mais complacência em relação a esses fugitivos - da perseguição, da guerra e da miséria em seus países de origem - é um dos principais alvos da ultra-direita.

Já a votação nas Nações Unidas mostrou capacidade de catalisar e unir as vozes dos representantes da direita radical contra os muçulmanos, desta vez representados pelos palestinos. A essas vozes, juntam-se a da direita israelense - hegemônica em Israel há duas décadas - e a dos neocons americanos fortalecidos com a vitória eleitoral de Donald Trump em novembro.

Não foram poucos os comentaristas conservadores dos EUA que viram na ação de Obama - ou, mais precisamente, na falta dela - no Conselho de Segurança a “prova definitiva” da identidade muçulmana ou, pelo menos, pró-muçulmana, do presidente americano. Comentários amplificados pelos lunáticos das redes sociais que veem em Obama e nos democratas em geral agentes destinados a entregar o controle do planeta aos comunistas e líderes islâmicos.

Em artigo publicado dias depois do atentado na Alemanha, a escritora e ativista política alemã Erika Heidewald traça um paralelo entre os objetivos finais de grupos terroristas como o Estado Islâmico e a extrema direita. “Toda vitória dos nacionalistas da ultradireita na Europa é uma vitória do Estado Islâmico”, escreve Erika. “Ambos buscam a mesma coisa: a guerra entre o Ocidente e o Islã.”

“Os dois lados usam o medo para recrutar seus seguidores. O Estado Islâmico recruta jovens revoltados e socialmente isolados convencendo-os de que o Ocidente declarou guerra ao Islã. E o alt-right recruta jovens revoltados e socialmente isolados convencendo-os de que muçulmanos, negros, imigrantes, gays e feministas estão decididos a destruir seu modo de vida branco e cristão”, afirma.

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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo