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Seis dias de guerra, décadas de conflito

 

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Seis dias de guerra, décadas de conflito

Militarmente, a Guerra dos Seis Dias foi decidida nas primeiras 24 horas. No primeiro e surpreendente raid de Israel, entre 8 e 9 horas de 5 de junho de 1967, a poderosa força aérea egípcia, composta principalmente por modernos caças soviéticos MiG, foi aniquilada em solo - nas bases que o Egito mantinha no Sinai. Os números são imprecisos e variam de acordo com a fonte, mas estima-se que só os egípcios perderam mais de 200 aeronaves no primeiro dia de conflito. Com o principal aliado gravemente debilitado, as demais forças da coalizão árabe perderam parte considerável da capacidade defensiva e, de cara, a supremacia aérea israelense estava estabelecida. O desenrolar da guerra seria apenas a consequência natural das ações do primeiro dia.

 No dia 10 de junho, a fase militar do conflito se encerrava como um dos principais marcos geopolíticos pós-2.ª Guerra, cujos efeitos se estendem até hoje, 50 anos depois. Depois de se ver cercado pelas nações árabes da vizinhança, Israel invadiu os territórios palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia -  respectivamente controlados por Egito e Jordânia -, além de ocupar a egípcia Península do Sinai, as sírias Colinas do Golan, o sul do Líbano e a parte leste de Jerusalém, então sob controle jordaniano. O confronto também alimentou a tensão da Guerra Fria, com o apoio irrestrito dos EUA a Israel e o respaldo da União Soviética aos países árabes. E pelo menos três dos principais impasses que bloqueiam hoje as negociações de paz entre israelenses e palestinos são derivados diretos da guerra de 1967.

 Primeiro, com a ocupação dos territórios, sob o argumento da necessidade de manter sua segurança, Israel alterou significativamente a chamada “Linha Verde”, as fronteiras desenhadas pelas Nações Unidas ao estabelecer a fundação de dois Estados - um judeu e um árabe - na região, em 1948. Os líderes árabes tinham rejeitado a criação de Israel na região que consideravam pertencente exclusivamente aos palestinos e boicotaram a resolução da ONU que instituía os espaços nacionais. Foram à guerra, perderam e os palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia seguiram no limbo. Colonos judeus se instalaram nas áreas ocupadas e, embora tivesse se retirado de Gaza em 2005, Israel segue ampliando os assentamentos da Cisjordânia.

 Segundo, logo depois da guerra de 1967, os líderes árabes se reuniram em Cartum, no Sudão, para ratificar o compromisso de jamais reconhecer o direito de Israel existir - o “princípio” no qual se embasariam os mais conhecidos grupos radicais jihadistas, que têm o terrorismo como principal forma de pressão.

 O terceiro impasse acirrado pela Guerra dos Seis Dias diz respeito à ocupação de Jerusalém Oriental, área da cidade onde se localizam relíquias sagradas para judeus, cristãos e muçulmanos. Os israelenses anexaram a área unilateralmente em 1980, declarando Jerusalém capital “única e indivisível” de Israel. A anexação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional, uma vez que os palestinos também pretendem estabelecer a capital de seu futuro Estado na parte leste da cidade.

 Foram também os ecos da guerra e o nó górdio da geopolítica do Oriente Médio que acabaram por desencadear processos políticos domésticos e externos que reforçaram o poder dos Assads na Síria e do Partido Baath no Egito e no Iraque, por exemplo. Do Hezbollah, guerrilha jihadista xiita fundada para combater a ocupação israelense do sul do Líbano, ao Estado Islâmico, quase tudo a que se assiste hoje na região se conecta aos episódios de 1967.

Uma nova mudança, em breve

Trump tropeça no FBI e na comunidade de inteligência, pilares da segurança dos EUA, e alimenta dúvidas sobre sua capacidade de exercer o poder

Uma nova mudança, em breve
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É muito cedo ainda para que se sentencie que o governo de Donald Trump esteja destinado à interrupção precoce, como foi o de Richard Nixon e quase foi o do segundo mandato de Bill Clinton. Mas o certo é que não há notícia de algum presidente da história dos EUA que tenha atravessado tantos períodos de turbulência criados por ele mesmo como o atual ocupante da Casa Branca.

 Depois de desafiar e ser derrotado pelo sistema de Justiça no caso da tentativa de proibir a entrada de estrangeiros de países muçulmanos nos EUA e do desgaste na tentativa frustrada de aprovar no Legislativo o projeto de construção de um muro na fronteira com o México, Trump tropeça agora em dois pilares da estrutura de defesa do país: o FBI e a comunidade de inteligência.

 Recapitulando rapidamente: Trump pediu ao diretor do FBI, James Comey, que abandonasse uma investigação sobre o conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, acusado de manter laços indevidos com funcionários russos. Com a negativa de Comey, Trump o demitiu. Toda a sequência de fatos poderia levar o presidente à acusação de obstrução da Justiça. Mas ela não parou por aí. Dias depois da demissão de Comey, o presidente recebeu no Salão Oval o chanceler russo, Sergei Lavrov, e, segundo relatos, revelou a ele segredos de inteligência que põem em risco fontes de aliados dos EUA infiltrados em redutos do Estado Islâmico. De acordo com jornais americanos, esses segredos teriam sido repassados por Israel.

 Importante ressaltar que, segundo a lei americana, não há crime na revelação desses dados, uma vez que cabe exatamente ao presidente determinar qual informação de espionagem deve ou não ser mantida sob sigilo. Mas o efeito prático é a perda da confiança dos aliados - o que pode pôr em risco a segurança do país. A reação tanto da oposição democrata quanto de setores do Partido Republicano foi tão forte que a hipótese de impeachment passou de conversas de bastidores para as páginas de editoriais dos jornais.

 “Estamos falando de pessoas que se autodefinem como leais a ele, que o apoiaram em sua campanha e trabalham com ele todos os dias que consideram o presidente como um homem de um vazio intelectual comparável a uma criança, um caso sem esperança, uma ameaça à segurança nacional”, escreveu o colunista conservador do “New York Times” Ross Douthat. Segundo o articulista, ainda que não seja possível acusá-lo de delitos que resultem no impeachment, uma solução apropriada seria removê-lo da Casa Branca pela invocação da 25.ª Emenda - que permite ao gabinete de um presidente declará-lo incapaz de exercer o poder e arcar com as responsabilidades de seu cargo. “Eu gosto de crianças, como gosto de meus filhos”, complementa Douthat. “Mas eles não têm em seu poder os códigos nucleares.”

 (O título deste texto é um verso da canção “Velha roupa colorida”, de Belchior, cantor e compositor que morreu em 30 de abril)

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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo