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Um gabinete com a cara de Trump (1)

Por Roberto Lameirinhas

Sutileza nunca foi o forte de Donald Trump. Aliás, está longe de ser errado atribuir ao perfil de viés machista, elitista e xenofóbico a grande quantidade de votos que lhe permitiu conquistar a vitória no Colégio Eleitoral que define o presidente da República dos EUA - apesar de ter obtido uma votação nacional menor do que a da rival democrata, Hillary Clinton, em novembro.

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A escolha do gabinete que toma posse em janeiro parece sepultar as previsões de que o estilo apresentado pelo bilionário se restringiria à campanha eleitoral - e a gravidade do cargo político mais importante do planeta acabaria por moderar gestos e discursos.

Um gabinete com a cara de Trump (1)

A mais polêmica das nomeações de Trump, para o Departamento de Estado - considerado o segundo cargo mais poderoso de Washington -, ocorreu no começo da semana. O CEO da ExxonMobil, Rex Tillerson, visto como um radical de direita até para líderes do grupo ultraconservador Tea Party, foi o escolhido.

Tillerson, como representante da companhia petrolífera, fechou contratos com valores na casa dos bilhões de dólares com o presidente russo, Vladimir Putin, e é tido como um dos americanos mais próximos do nada transparente setor energético de Moscou - marcado, desde o fim da União Soviética, pela influência da então emergente máfia russa, casos de espionagem, assassinatos e sequestros. A proximidade com Putin resultou na concessão ao americano da mais alta comenda que a Rússia pode conceder a um estrangeiro.

Importante lembrar que a indicação de Tillerson se deu em meio a uma onda de suspeitas investigadas por várias agências americanas da ação de hackers russos para influenciar - em favor de Trump - as eleições americanas.

Figura ascendente no Partido Republicano e rival de Trump nas primárias para as eleições de novembro, o senador Marco Rubio não poupou a escolha do presidente eleito. “Ser um ‘amigo de Vladimir (Putin)’ não é um atributo que eu esperava de um secretário de Estado”, postou em sua conta no Twitter.

Fontes próximas a Trump declararam a jornais americanos que a escolha se deu por recomendação da secretária de Estado do governo de George W. Bush, Condoleezza Rice, e do secretário de Defesa de Bush e de Barack Obama, Robert Gates. O problema é que tanto Condoleezza quanto Gates prestam consultoria à ExxonMobil. “Tillerson paga Rice e Gates por ‘consultoria’ e eles, em troca, recomendam-no a Trump. Bem-vindos ao terreno pantanoso, senhoras e senhores”, comentou, em seu site, a revista Mother Jones, especializada em denúncias sobre a influência de corporações sobre o governo americano.

A escolha de Tillerson por Trump ocorreu ainda no calor de protestos da China contra a decisão do presidente eleito de enviar sinais de que poderia reconhecer a independência de Taiwan - tema delicadíssimo na relação com a China, que considera a ilha uma província rebelde. Trump deu de ombros para a reação de Pequim, dando a entender que fará pouco para evitar o confronto diplomático entre as duas potências.

Caso siga à risca a linha traçada por Trump durante a campanha eleitoral, a política externa comandada por Tillerson deve ainda afastar-se da linha do multilateralismo seguida por Obama nos últimos oito anos. Além do polêmico muro que prometeu erguer na fronteira com o México para conter a imigração ilegal, a futura administração americana deve contestar tratados de comércio - como o Nafta, com México e Canadá, e o abrangente Tratado Trans-Pacífico.

Deve ainda adotar posições mais conservadoras em órgãos da ONU e da Otan. E, como pode deixar óbvia a escolha de um homem do petróleo para o comando de sua diplomacia, rever as metas do Acordo de Paris para a redução de emissão de carbono.

Um gabinete com a cara de Trump (2)

Um gabinete com a cara de Trump (2)
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Por Roberto Lameirinhas

A escolha de Rex Tillerson para o Departamento de Estado dos EUA foi a mais simbólica da formação do futuro governo de Donald Trump. Mas não foi a única nomeação polêmica, destinada a demonstrar seu estilo dentro e fora do país.

Tillerson - como tem indicado comentaristas da mídia americana, a oposição democrata e até mesmo membros do Partido Republicano - é um falcão entre os falcões, que deve imprimir uma política de linha dura em contraposição à diplomacia voltada para o multilateralismo de Barack Obama. Mas é só a ponta do iceberg, a cereja ácida do bolo de um ministério destinado a reforçar o caráter nacionalista e populista de seu mentor.

Uma das primeiras nomeações Trump foi a de Steve Bannon, comentarista do site extremista Breitbart News, como estrategista chefe e conselheiro sênior. Bannon foi diretor da publicação, considerada porta-voz do movimento “alt right”. E, antes que a boçalidade tupiniquim comece a defender o caráter democrático desse bando, é preciso que se diga com todas as letras que o alt right nada mais é do que uma incipiente organização que promove o antissemitismo e teses que defendem a supremacia branca.

Logo depois da indicação de Bannon, a revista The Atlantic teve acesso e distribuiu por meio do YouTube imagens de um evento em Washington no qual o líder do alt right, Richard Spencer, iniciava seu discurso com o braço erguido e a saudação “Heil Trump! Heil nosso povo! Heil nossa vitória!”.

O secretário de meio ambiente de Trump será Scott Pruitt, ferrenho opositor da política climática de Obama e defensor da tese segundo a qual os estudos sobre o aquecimento global são falhos e têm como objetivo sabotar a economia americana. Como secretário de Justiça do Estado de Oklahoma, ele liderou uma ação judicial contra a Agência de Proteção Ambiental, que passará a dirigir sob Trump. O processo visava a derrubar nos tribunais medidas promovidas pelo governo Obama para reduzir a emissão de gases do efeito-estufa nas centrais elétricas a carvão. A nomeação está em linha com a intenção de Trump de retirar os EUA do acordo sobre o clima, firmado em 2015 por 192 países.

Para a secretaria da Saúde, Trump escolheu o congressista republicano Tom Price. Sua missão, reverter o Obamacare, o programa que universalizou o acesso dos americanos ao sistema de saúde. Para Trump, e boa parte dos republicanos, o programa de Obama onera os contribuintes e causa prejuízos às empresas de seguro-saúde privadas.

Por fim, o secretário do Trabalho de Trump será um dos proprietários de uma holding que controla uma grande cadeia de lojas fast food, Andy Puzder. Trata-se de um defensor do fim de direitos trabalhistas - sob a alegação de que eles criam obstáculos para o crescimento do setor de restaurantes, que emprega 10% da força de trabalho no país. Puzder se opõe à elevação do salário mínimo para acima de US$ 9 por hora. Os democratas querem o salário a US$ 15 por hora. Para Trump, Puzder salvará pequenas empresas de “encargos esmagadores e regulamentações desnecessárias que atrasam o crescimento do emprego”.

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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo