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Um gabinete com a cara de Trump (2)

Um gabinete com a cara de Trump (2)
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Por Roberto Lameirinhas

A escolha de Rex Tillerson para o Departamento de Estado dos EUA foi a mais simbólica da formação do futuro governo de Donald Trump. Mas não foi a única nomeação polêmica, destinada a demonstrar seu estilo dentro e fora do país.

Tillerson - como tem indicado comentaristas da mídia americana, a oposição democrata e até mesmo membros do Partido Republicano - é um falcão entre os falcões, que deve imprimir uma política de linha dura em contraposição à diplomacia voltada para o multilateralismo de Barack Obama. Mas é só a ponta do iceberg, a cereja ácida do bolo de um ministério destinado a reforçar o caráter nacionalista e populista de seu mentor.

Uma das primeiras nomeações Trump foi a de Steve Bannon, comentarista do site extremista Breitbart News, como estrategista chefe e conselheiro sênior. Bannon foi diretor da publicação, considerada porta-voz do movimento “alt right”. E, antes que a boçalidade tupiniquim comece a defender o caráter democrático desse bando, é preciso que se diga com todas as letras que o alt right nada mais é do que uma incipiente organização que promove o antissemitismo e teses que defendem a supremacia branca.

Logo depois da indicação de Bannon, a revista The Atlantic teve acesso e distribuiu por meio do YouTube imagens de um evento em Washington no qual o líder do alt right, Richard Spencer, iniciava seu discurso com o braço erguido e a saudação “Heil Trump! Heil nosso povo! Heil nossa vitória!”.

O secretário de meio ambiente de Trump será Scott Pruitt, ferrenho opositor da política climática de Obama e defensor da tese segundo a qual os estudos sobre o aquecimento global são falhos e têm como objetivo sabotar a economia americana. Como secretário de Justiça do Estado de Oklahoma, ele liderou uma ação judicial contra a Agência de Proteção Ambiental, que passará a dirigir sob Trump. O processo visava a derrubar nos tribunais medidas promovidas pelo governo Obama para reduzir a emissão de gases do efeito-estufa nas centrais elétricas a carvão. A nomeação está em linha com a intenção de Trump de retirar os EUA do acordo sobre o clima, firmado em 2015 por 192 países.

Para a secretaria da Saúde, Trump escolheu o congressista republicano Tom Price. Sua missão, reverter o Obamacare, o programa que universalizou o acesso dos americanos ao sistema de saúde. Para Trump, e boa parte dos republicanos, o programa de Obama onera os contribuintes e causa prejuízos às empresas de seguro-saúde privadas.

Por fim, o secretário do Trabalho de Trump será um dos proprietários de uma holding que controla uma grande cadeia de lojas fast food, Andy Puzder. Trata-se de um defensor do fim de direitos trabalhistas - sob a alegação de que eles criam obstáculos para o crescimento do setor de restaurantes, que emprega 10% da força de trabalho no país. Puzder se opõe à elevação do salário mínimo para acima de US$ 9 por hora. Os democratas querem o salário a US$ 15 por hora. Para Trump, Puzder salvará pequenas empresas de “encargos esmagadores e regulamentações desnecessárias que atrasam o crescimento do emprego”.

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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo