Mapa Mundi
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Mapa Mundi
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Mapa Mundi
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Um rapaz novo encantado

Roberto Lameirinhas
há 5 meses9.4k visualizações

Emmanuel Macron se converte no mais jovem presidente francês carregando o peso de não ter direito a cometer erros

Depois de confirmar o favoritismo que apresentava nas pesquisas, Emmanuel Macron, toma posse no domingo (14) como o mais jovem presidente da República da França - tem 39 anos - e alguns dos maiores desafios a serem enfrentados pelos franceses desde a 2.ª Guerra. Caberá a ele encontrar solução para a questão dos refugiados - que ameaça o apoio popular à integração europeia -, do terrorismo fundamentalista islâmico que escolheu a França como alvo preferencial nos últimos anos e do desemprego que afeta 10% da população economicamente ativa do país.

Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸
Um rapaz novo encantado

 E terá de fazer isso sem uma base parlamentar própria. À frente de seu movimento Em Marcha, Macron também será o primeiro presidente da Quinta República - o período que se sucedeu à Constituição de 1946 - que não provém de nenhum dos dois maiores partidos, gaullista e socialista. O presidente eleito rejeita rótulos de direitista ou esquerdista e diz que pretende governar com os melhores quadros entre os dois pólos do espectro ideológico.

 De fato, Macron atraiu no segundo turno da eleição presidencial os votos de eleitores dos partidos tradicionais temerosos do triunfo da candidata da extrema direita, Marine Le Pen - que tinha uma plataforma anti-imigração, anti-Europa e economicamente protecionista. Na crueza dos números, a vitória foi arrasadora, 66% a 34%. Mas a votação da ultra-direita dobrou desde 2002, quando o pai de Marine, Jean-Marie Le Pen obteve menos de 17% e foi esmagado por Jacques Chirac depois de surpreender e chegar ao segundo turno.

 Marine Le Pen foi catapultada ao segundo turno de 7 de maio depois de mais um ataque terrorista na França - o sexto em dois anos - às vésperas da primeira votação, de 23 de abril. O risco maior agora, segundo analistas da França e de fora dela, é que o eventual fracasso do governo de Macron impulsione ainda mais a extrema direita para as próximas eleições presidenciais, o que representaria, provavelmente, o fim definitivo dos planos de integração europeia.

(“Um rapaz novo encantado” foi extraído de um verso da canção “Mucuripe”, composta em parceria com Raimundo Fagner por Belchior, que morreu em 30 de abril) 

O voto do medo

Roberto Lameirinhas
há 6 meses1.6m visualizações

Por Roberto Lameirinhas

E, como se prognosticava, o confuso ataque do período pré-eleitoral - no qual um cidadão francês de origem muçulmana abriu fogo em Paris, matando um policial e ferindo outro - deu o fôlego necessário para que a extrema direita representada por Marine Le Pen chegasse ao segundo turno da eleição presidencial francesa. Pesquisas indicam que ela não deve chegar ao Palácio do Eliseu, uma vez que o centrista Emmanuel Macron chega à disputa final com maior capacidade de arregimentar o voto de eleitores do restante do espectro político. Mas a votação francesa demonstra, mais uma vez, que ao menos uma parcela significativa da população acredita que estará mais segura com o reforço da vigilância, o fechamento das fronteiras e a acentuação do caráter policial da sociedade.

Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸
O voto do medo

 Marine Le Pen politizou, como seu pai já o fizera por décadas, a questão da imigração e a defesa radical da xenofobia. Não são poucos os franceses que atribuem a maior parte de suas mazelas - não só econômicas, mas também de segurança - à integração com a União Europeia e ao viés multiculturalista predominante principalmente nas grandes cidades francesas.

 A novidade, desta vez, é que os dois maiores partidos - o gaullista (ou republicano) e o socialista - estão fora do páreo. Seus líderes mal esperaram a divulgação dos números do primeiro turno para correr para o colo de Macron, um jovem economista que se apresenta como um outsider que agrega elementos da centro-direita à agenda europeísta e moderada em relação às questões de imigração da esquerda.

 O ressentimento dos franceses com os imigrantes e seus descendentes cresceu exponencialmente desde janeiro de 2015 quando uma dupla de jihadistas agindo em nome do Estado Islâmico invadiu a redação do semanário satírico “Charlie-Hebdo”, em Paris, e matou 12 pessoas - cartunistas da publicação, na maioria. Seguiram-se ataques de menor intensidade até novembro daquele ano, quando um comando terrorista deixou mais 130 corpos em ações simultâneas na capital francesa, incluindo na casa de shows Bataclan. No ano seguinte, em pleno 14 de Julho, a data nacional, em Nice, um caminhão atropelou e causou a morte de outras 80 pessoas.

 Apesar de o pai de Marine, Jean-Marie Le Pen, ter chegado ao segundo turno de uma eleição presidencial, em 2002, o radicalismo xenófobo de seu movimento causava grande rejeição entre os eleitores franceses. Principalmente em razão do antissemitismo explícito e da retórica de negacionismo do Holocausto. Ambos, pai e filha, defendem a tese de que o regime de Vichy não exerceu nenhum papel no extermínio de judeus durante a 2.ª Guerra.

 Quando voltaram suas baterias contra a imigração árabe e muçulmana, porém, viram a repulsa às suas posições se reduzir substancialmente. Não ainda a ponto de converter Marine Le Pen em favorita para assumir a presidência francesa, embora Donald Trump e a votação do Brexit, no ano passado, tenha demonstrado que o voto envergonhado, aquele que as pesquisas não registram, nunca deve ser subestimado.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
tudoexplicado
Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo