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Uma nova mudança, em breve

Trump tropeça no FBI e na comunidade de inteligência, pilares da segurança dos EUA, e alimenta dúvidas sobre sua capacidade de exercer o poder

Uma nova mudança, em breve
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É muito cedo ainda para que se sentencie que o governo de Donald Trump esteja destinado à interrupção precoce, como foi o de Richard Nixon e quase foi o do segundo mandato de Bill Clinton. Mas o certo é que não há notícia de algum presidente da história dos EUA que tenha atravessado tantos períodos de turbulência criados por ele mesmo como o atual ocupante da Casa Branca.

 Depois de desafiar e ser derrotado pelo sistema de Justiça no caso da tentativa de proibir a entrada de estrangeiros de países muçulmanos nos EUA e do desgaste na tentativa frustrada de aprovar no Legislativo o projeto de construção de um muro na fronteira com o México, Trump tropeça agora em dois pilares da estrutura de defesa do país: o FBI e a comunidade de inteligência.

 Recapitulando rapidamente: Trump pediu ao diretor do FBI, James Comey, que abandonasse uma investigação sobre o conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, acusado de manter laços indevidos com funcionários russos. Com a negativa de Comey, Trump o demitiu. Toda a sequência de fatos poderia levar o presidente à acusação de obstrução da Justiça. Mas ela não parou por aí. Dias depois da demissão de Comey, o presidente recebeu no Salão Oval o chanceler russo, Sergei Lavrov, e, segundo relatos, revelou a ele segredos de inteligência que põem em risco fontes de aliados dos EUA infiltrados em redutos do Estado Islâmico. De acordo com jornais americanos, esses segredos teriam sido repassados por Israel.

 Importante ressaltar que, segundo a lei americana, não há crime na revelação desses dados, uma vez que cabe exatamente ao presidente determinar qual informação de espionagem deve ou não ser mantida sob sigilo. Mas o efeito prático é a perda da confiança dos aliados - o que pode pôr em risco a segurança do país. A reação tanto da oposição democrata quanto de setores do Partido Republicano foi tão forte que a hipótese de impeachment passou de conversas de bastidores para as páginas de editoriais dos jornais.

 “Estamos falando de pessoas que se autodefinem como leais a ele, que o apoiaram em sua campanha e trabalham com ele todos os dias que consideram o presidente como um homem de um vazio intelectual comparável a uma criança, um caso sem esperança, uma ameaça à segurança nacional”, escreveu o colunista conservador do “New York Times” Ross Douthat. Segundo o articulista, ainda que não seja possível acusá-lo de delitos que resultem no impeachment, uma solução apropriada seria removê-lo da Casa Branca pela invocação da 25.ª Emenda - que permite ao gabinete de um presidente declará-lo incapaz de exercer o poder e arcar com as responsabilidades de seu cargo. “Eu gosto de crianças, como gosto de meus filhos”, complementa Douthat. “Mas eles não têm em seu poder os códigos nucleares.”

 (O título deste texto é um verso da canção “Velha roupa colorida”, de Belchior, cantor e compositor que morreu em 30 de abril)

Ao vivo é muito pior

Fustigados por problemas econômicos persistentes e violentos protestos de rua, alicerces do governo de Maduro começam a apresentar sinais de erosão  

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O governo venezuelano de Nicolás Maduro dá sinais de rápido derretimento ante o aprofundamento da crise econômica que empobrece ainda mais a população e causa a escassez de todo tipo de mercadoria no país, de sabonete e papel higiênico à farinha milho que é o principal ingrediente da arepa, base da alimentação dos cidadãos das classes C, D e E. Aferrado ao poder e resistindo aos protestos violentos que exigem sua saída - e já resultaram em um número estimado de quatro dezenas de mortos -, Maduro colhe a tempestade dos erros de semeadura de Hugo Chávez e do chavismo, que falharam na tarefa de libertar a economia da Venezuela da dependência do petróleo.

 Tudo correu razoavelmente bem enquanto o barril do produto estava cotado na faixa dos US$ 100 no mercado internacional, mas quando essa cotação se reduziu para o nível dos US$ 30, a deterioração da situação política se tornou inevitável. Resta a Maduro a aposta na formação de uma assembleia constituinte que contraria todos os conceitos de sufrágio universal - reservando para grupos favoráveis ao governo a maioria das cadeiras no novo fórum. Não como interpretar tal passagem de rolo compressor a não ser como um golpe de Estado, para o deleite de inimigos mortais do chavismo tanto no interior das fronteiras da Venezuela quanto fora delas.

 Incapaz de apresentar e manter pactos que garantam um mínimo de governabilidade com a sociedade venezuelana, Maduro caminha na direção do precipício com suas próprias pernas e não em razão das ações do heterogêneo bloco que lhe faz oposição - composto por cidadãos genuinamente revoltados com a situação econômica e política do país e líderes de movimentos oligárquicos que sustentaram os não menos desastrosos governos que antecederam ao de Chávez.

 Em várias ocasiões, me reuni na Venezuela com o historiador e jornalista Alberto Garrido, que era considerado um dos maiores estudiosos do período de ascensão de Chávez ao poder e relutava em qualificar o chavismo como um movimento de esquerda. Garrido, que morreu de câncer precocemente há alguns anos, via no chavismo uma doutrina resultante de uma aliança cívico-militar mais próxima do peronismo argentino - baseada no centralismo nacionalista e sustentado pela força armada.

 E foi sobre os alicerces fundados pelo companheiros de armas do Exército que Chávez sobreviveu até mesmo à tentativa de golpe de 2002. O governo de Maduro está alicerçado nestas mesmas bases, mas - apesar dos constantes afagos aos militares - elas começam agora a apresentar sinais mais claros de erosão.

("Ao vivo é muito pior" é um verso da canção Apenas um rapaz latino-americano, do cantor e compositor Belchior, que morreu em 30 de abril)

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Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo