POLÍTICA

Objetivos comuns

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Objetivos comuns

Por Roberto Lameirinhas

Dois fatos se somaram nos últimos dias à longa lista dos eventos que opõem radicais islâmicos a extremistas da direita ocidental. No primeiro deles, um jihadista que jurou lealdade ao Estado Islâmico lançou um caminhão roubado contra uma feira de Natal de Berlim, causando a morte de 12 pessoas e ferindo outras 50. No segundo - mais simbólico do que prático, mas de retórica eloquente -, uma votação do Conselho de Segurança da ONU condenou a política israelense de expansão dos assentamentos em territórios palestinos. Neste caso, o que ampliou a irritação da extrema direita foi a negativa do governo americano de Barack Obama de usar seu poder de veto no Conselho para barrar a iniciativa.

Atentados terroristas em território europeu têm-se convertido em dura rotina no momento em que grupos proto-fascistas de vários países do continente se insurgem contra a chegada de ondas de candidatos ao refúgio principalmente da África, do Oriente Médio e da Ásia Central. A chanceler alemã, Angela Merkel, defensora de uma política de mais complacência em relação a esses fugitivos - da perseguição, da guerra e da miséria em seus países de origem - é um dos principais alvos da ultra-direita.

Já a votação nas Nações Unidas mostrou capacidade de catalisar e unir as vozes dos representantes da direita radical contra os muçulmanos, desta vez representados pelos palestinos. A essas vozes, juntam-se a da direita israelense - hegemônica em Israel há duas décadas - e a dos neocons americanos fortalecidos com a vitória eleitoral de Donald Trump em novembro.

Não foram poucos os comentaristas conservadores dos EUA que viram na ação de Obama - ou, mais precisamente, na falta dela - no Conselho de Segurança a “prova definitiva” da identidade muçulmana ou, pelo menos, pró-muçulmana, do presidente americano. Comentários amplificados pelos lunáticos das redes sociais que veem em Obama e nos democratas em geral agentes destinados a entregar o controle do planeta aos comunistas e líderes islâmicos.

Em artigo publicado dias depois do atentado na Alemanha, a escritora e ativista política alemã Erika Heidewald traça um paralelo entre os objetivos finais de grupos terroristas como o Estado Islâmico e a extrema direita. “Toda vitória dos nacionalistas da ultradireita na Europa é uma vitória do Estado Islâmico”, escreve Erika. “Ambos buscam a mesma coisa: a guerra entre o Ocidente e o Islã.”

“Os dois lados usam o medo para recrutar seus seguidores. O Estado Islâmico recruta jovens revoltados e socialmente isolados convencendo-os de que o Ocidente declarou guerra ao Islã. E o alt-right recruta jovens revoltados e socialmente isolados convencendo-os de que muçulmanos, negros, imigrantes, gays e feministas estão decididos a destruir seu modo de vida branco e cristão”, afirma.