Roberto Lameirinhas's story
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Roberto Lameirinhas's story
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Roberto Lameirinhas's story
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Entre unicórnios e propaganda

Por Roberto Lameirinhas

Entre unicórnios e propaganda
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Kim Jong-un é um ditador sanguinário, a exemplo do que foram o pai e o avô, capaz de manter seu povo sob situação similar à de tortura, com comida escassa, vigiado constantemente e impedido de qualquer crítica ou tentativa de deixar o país. É muito provável que tenha realmente ordenado o assassinato do irmão mais velho, Kim Jong-nam, que caiu em desgraça no começo deste século ao ser flagrado com um passaporte falso com o qual tentava viajar para os EUA e visitar a Disneylândia.

 Mas uma dose extra de cautela é necessária em relação a todas as notícias que chegam da Península Coreana sobre a  Coreia do Norte. Pyongyang e Seul se mantêm tecnicamente em guerra - um armistício está em vigor há mais de seis décadas, mas nunca houve um acordo de paz entre as duas partes - e quase sempre os relatos de veículos de mídia da Coreia do Sul frequentemente merecem credibilidade parecida com a do Norte.

 Pouco depois de Kim Jong-un ter chegado ao poder, veículos sul-coreanos, como a agência de notícias Yonhap, apressaram-se a difundir informações que explicitavam a crueldade do novo líder. Uma dessas notícias era de que Kim tinha ordenado a morte de um irmão de sua mãe, lançando-o num covil de cães ferozes, que teriam devorado o cadáver. O líder teria ameaçado a própria mãe com o mesmo destino.

  Outra informação da Yonhap - amplificadas por jornais pouco confiáveis da região - era a de que o então novo líder tinha também sentenciado à morte uma ex-namorada de infância que o rejeitara anos antes. As notícias foram negadas por algumas fontes diplomáticas da Coreia do Norte no exterior, mas acabaram tomadas como líquidas e certas por veículos alinhados à propaganda sul-coreana ao redor do planeta.

 Agora, a informação é de que Kim Jong-nam teria sido morto em razão de sua militância por reformas no governo do irmão na Coreia do Norte. Se esse ativismo reformista existia, pouco foi dito a respeito dele.

 Quando ainda era o favorito para suceder ao pai na chefia do regime, Kim Jong-nam era retratado apenas como um playboy frívolo, apaixonado por carros importados e pela cultura do inimigo americano - como, aliás, também era retratado o Kim Jong-un.

 O problema é que a Coreia do Norte não é apenas um país miserável, governado por uma dinastia despótica que apresenta a seus cidadãos descobertas arqueológicas como fósseis de unicórnio e resultados esportivos como a edição de partidas da Copa do Mundo em que goleiam o Brasil. Mas se trata de um país nuclear que representa ameaça real principalmente a seus vizinhos.

  É provável que as geringonças atômicas que Pyongyang desenvolve sejam o exemplo mais acabado de força sem controle, capazes de explodir no colo de quem o transporte. Mas aquilo que, de fato, ocorre no interior do país só pode ser verificado, comprovado e eventualmente controlado pelo principal aliado da Coreia do Norte: a China. Boatos e propaganda barata só servem, neste caso, para distrair a opinião pública.  

  

Diferenças bem marcadas

Por Roberto Lameirinhas

Barack Obama é um craque da retórica. O último discurso do período de oito anos em que se manteve na Casa Branca cumpre duas funções: deve se tornar um documento histórico sobre as realizações de sua administração e marcar claramente a diferença entre ele e o sucessor, Donald Trump.

Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸
Diferenças bem marcadas

 O democrata foi elegante e profundo na tarefa de distinguir-se do bilionário - eleito com uma plataforma voltada a conquistar grupos antiglobalização, anti-imigração, anti-establishment e defensores do uso da força para a manutenção da hegemonia dos EUA. Para isso, paralelamente ao balanço de realizações de seu governo, listou fatos e valores que construíram o que se costuma qualificar de “excepcionalidade americana”.

 “Por 240 anos, nossa nação tem conclamado os cidadãos a dar trabalho e esperança para cada nova geração”, discursou Obama. “Foi isso que atraiu imigrantes e refugiados através dos oceanos e do Rio Grande, levou as mulheres a alcançar o direito ao voto e impulsionou trabalhadores a se organizarem. Foi por isso que nossos soldados deram suas vidas em Omaha (uma das praia do desembarque do Dia D, na 2.ª Guerra) e Iwo Jima (ilha japonesa onde se deu uma das mais sangrentas batalhas da Guerra do Pacífico); Iraque e Afeganistão - e pelo que homens e mulheres de Selma (referência à luta contra a segregação racial) e Stonewall (marco da conquista dos direitos dos homossexuais) estiveram dispostos a dar as suas.”

 Após lembrar ter assumido o país no auge de uma grande recessão, Obama afirmou ter liderado o maior programa de recriação de postos de trabalho da história do país - justamente um dos principais cavalos de batalha da agenda de Trump -  e ter promovido o renascimento da indústria automobilística americana, então superada pela concorrência dos asiáticos.

 “Se eu tivesse dito (oito anos atrás) que nós escreveríamos um novo capítulo para o povo cubano, que encerraríamos o programa de armas nucleares do Irã sem dar um único tiro, que capturaríamos o grande mentor dos atentados do 11 de Setembro… Se eu tivesse dito que asseguraríamos o casamento igualitário  e o direito ao acesso à assistência médica para 20 milhões de nossos compatriotas, vocês talvez considerassem que nossas metas eram muito ambiciosas. Mas foi isso que fizemos”, prosseguiu, remarcando, sem citar o nome dele, as diferenças com Trump. Fazem parte das promessas de campanha do presidente eleito reverter, no âmbito externo, as políticas para Cuba e Irã, e, internamente, o programa de saúde gratuita abrangente instituído no chamado Obamacare.

 Obama ressaltou ainda suas ações que visam a combater as mudanças climáticas, incluindo o acordo de redução de emissão de carbono, que Trump também promete reverter. O democrata sublinhou ainda que estereótipos que recaem hoje sobre a população negra e latina já tiveram como objeto a imigração irlandesa, italiana ou polonesa e essas comunidades sofreram para superá-los.

 “A tarefa da democracia tem sido sempre pesada, contenciosa e algumas vezes sangrenta. Para cada dois passos adiante, damos um passo atrás”, disse Obama. “Mas a longa jornada adiante da América foi desenhada em sua fundação para ser uma conquista para todos, e não apenas para alguns.”

 “Entendemos que a democracia não requer uniformidade”, prosseguiu. “Nossos fundadores discutiram e se comprometeram, e esperaram que fizéssemos o mesmo. Eles sabiam que democracia requer um senso básico de solidariedade - a ideia de que acima de nossas diferenças, estaremos todos juntos; que avançaremos ou tombaremos como um só.

Você leu a pasta de história
escrita por