CIÊNCIA

O que proibir?

Wallis Costa
Author
Wallis Costa

Há mais ou menos 15 dias saiu uma notícia na qual me chamou bastante a atenção, o excelentíssimo Senhor Alexandre de Moraes (Ministro da Justiça) quer implantar no Brasil uma nova metodologia de combate ao narcotráfico. Faço menção a fatos históricos estadunidenses, Nixon e Regan adotaram políticas semelhantes entre as décadas de 70 e 80, tais políticas tiveram alcunha devastadora, principalmente para a população negra e periférica dos EUA. A guerra ao narcotráfico é ineficaz, o mundo inteiro está progredindo o diálogo da legalização dos psicoativos, contudo, mais uma vez o Brasil se mostra na contramão do resto do mundo e isso é preocupante.

Atualmente estima-se que a população afro-americana corresponde a um total de 5% de cidadãos estadunidenses, em contrapartida, a malha carcerária dos EUA possui cerca 40% de negros. Segundo dados estatísticos, há a previsão de que pelo menos 1/3 dos afro-americanos ficarão presos pelo menos uma vez em sua vida, número que cresceu exponencialmente após a dura guerra ao narcotráfico que os Governos posteriores a Regan e Nixon adotaram.

Nos dias atuais há uma discussão muito intensa no que se tange à legalização de psicoativos, com intervenção e regulação Estatal. É extremamente interessante, sobretudo em um Estado como o nosso, um diálogo sério entre nossos Governantes e a sociedade sobre políticas públicas de saúde e até mesmo a legalização de psicoativos. O Brasil é o país onde mais se consome "cannabis sativa" no Continente Americano, provando desde já que a proibição não é uma intervenção Estatal suficientemente eficiente para que haja a inibição do uso de psicoativos.

Contudo, mesmo todo esse diálogo sendo extremamente importante, seja ele para a desencarceramento da população negra e periférica, seja ele para com a diminuição da criminalidade e das grandes associações e facções criminosas brasileiras, se me permitem, faço aqui uma análise sociológica do porque nas Américas haver uma guerra de maneira tão veemente ao narcotráfico.

Primeiro ponto que poderia ressaltar é que a indústria do tabaco tem seu maior lucro no hemisfério leste, que coincidentemente se encontra na América, as grandes indústrias, sobretudo a Phillip Morris e Souza Cruz fazem pressão para que a descriminalização do uso não seja permitido. Outro fator ao meu ver é decisivo na criminalização do usuário é a pressão que uma sociedade pautada nos valores cristãos sofre diariamente, os países da América em sua grande maioria são países que adotam a cultura cristã, que entrinsecamente carrega consigo o reacionarismo e em muitas vezes o conservadorismo e que a concepção moral de que é errado o uso de psicoativo.

Me aflige nosso país estar caminhando em passos tão curtos ao progresso, a onda conservadora me assusta e decisões de nosso Governo Federal, presidido por Michel Temer e seus Ministros me deixam esbaforido. Uma política antidrogas mais conservadora entre todos os países que decretaram guerra ao narcotráfico tem uma dogmática no mínimo peculiar. Não consiste no que se quer proibir, consiste em quem o Estado quer punir.

O que proibir?