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As perspectivas para 2018 estão em nossas mãos, não nas do Governo

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Todos que se arriscam a avaliar as perspectivas da economia do Brasil em 2018 fazem um exercício visionário buscando identificar como poderemos gerir nossos negócios evitando os obstáculos e desafios de um ano eleitoral e aproveitando as oportunidades de uma economia em suave reaquecimento.

Roberto Abdenur, diplomata e ex-embaixador em Washington, disse recentemente num programa de TV que há apenas duas pessoas cujas palavras têm impacto mundial: o Papa e o Presidente dos Estados Unidos. E recentemente Donald Trump, entre vários outros comentários histriônicos, disse que a Coréia do Norte vai enfrentar fogo e fúria, o que poderia ser caracterizado quase como uma declaração de guerra. Enquanto isso, a Bolsa de NY registrava altas memoráveis e recordes absolutos, chegando a 22 mil pontos.

Como se não bastasse isso, o mandato de Trump é denunciado como ilegítimo pela grande maioria da mídia mais favorável ao Partido Democrata, em função da propalada intervenção da Rússia na eleição americana. Secretários e assessores diretos de primeira linha do presidente são derrubados da noite para o dia. Passeatas se acumulam por centenas de cidades. No entanto, a economia nos Estados Unidos nunca apresentou sinais tão positivos de evolução – acaba de surpreender com um crescimento de 3% no segundo trimestre.

Isso deveria nos ensinar algo e servir de inspiração: Nosso futuro está em nossas mãos, e não nas do governo. O que vem por aí depende de nós, e não das autoridades de plantão. O que vemos na mídia deve servir apenas como dado relevante, e não como desculpa limitante. Fazemos uma evidente confusão ao lermos as manchetes. Elas são importantes instrumentos de informação, jamais instrumentos de gestão e decisão empresarial.

É bem verdade que, nos Estados Unidos, o Presidente Donald Trump acaba tendo menos poder do que o Presidente Temer tem por aqui. Pois no Brasil, infelizmente, 45% da economia ainda estão nas mãos públicas, burocráticas e improdutivas do governo. E é claro que também precisamos mudar esse estado das coisas.

É essa gigantesca máquina de indicar, aliciar e favorecer que está hoje sob julgamento nos tribunais e na opinião pública. Precisamos e devemos privatizar quase tudo que for possível e colocar a iniciativa privada na cadeira de comando da economia.

Somos protagonistas e não coadjuvantes do progresso e desenvolvimento. Mas enquanto isso não se concretizar em toda sua extensão desejável, devemos relativizar o que lemos e focar no que fazemos. Quem muda o País e altera o destino dos negócios são nossas decisões e não as periódicas eleições.

A agricultura brasileira nos deu um exemplo notável de que isso é possível. Nenhum setor foi tão afetado por exageros e pressão dos que são contra a evolução do país quanto nossas fronteiras agrícolas. Quem não se lembra dos ataques destrutivos à Embrapa. E as milhares de invasões e incêndios em plantações por todo o País.

As perspectivas para 2018 estão em nossas mãos, não nas do Governo

Isso sem falar da demagogia da reforma agrária cantada em prosa e verso até nas novelas da TV, a exagerada proteção às terras indígenas, a perseguição implacável aos transgênicos, que mais tarde ficou provado, permitiriam a maior produtividade que hoje observamos.

Nada disso foi problema para fazer de nossa agricultura um exemplo para o mundo apresentando um crescimento exponencial e se transformando num dos pilares que sustentam nossa economia.

Temos de reconhecer: a imprensa tem dado excessiva atenção a uma correlação biunívoca entre política e economia. Isso gera uma profecia autorrealizável. Achamos que enquanto não resolvermos os problemas políticos, a economia não vai. Essa crença limitante precisa ser revisada.

Nossa economia é pujante e diversificada. Nossas instituições nos deram exemplos de que estão aí para garantir um cenário estável de razoável segurança jurídica. E nossos empresários estão acostumados a trabalhar na instabilidade. Então está tudo bem? Não, longe disso.

Mas não podemos deixar que a instabilidade política, a disputa de ego entre poderes e o desejo de hegemonia de grupos de pressão decidam nosso destino e nosso futuro. Isso significa continuar trabalhando muito e focar mais na ênfase do que precisa ser feito, e não do que poderiam ter feito. E significa, também, menos atenção à política e a Brasília e mais atenção ao que precisamos realizar em cada uma de nossas cidades, fábricas e escritórios.

As perspectivas para 2018 estão em nossas mãos, não nas do Governo

Sam Walton, fundador da WalMart nos ensinou a ver a Macroeconomia com uma lente mais precisa, relativizando sua importância e impacto. Certa vez, cansado de ser questionado sobre a recessão, a crise e o desemprego numa das fases difíceis da economia americana, Walton reuniu a imprensa e fez a seguinte declaração: “Tenho ouvido falar muito sobre crise e recessão ultimamente, mas fiz uma reunião com minha diretoria e resolvemos não participar.” E foi pensando assim, e principalmente agindo dessa forma, que a WalMart se transformou na maior empresa de varejo do mundo.

Em qualquer país sério, um ano eleitoral é mero detalhe de calendário. Independentemente de quem vença a eleição, os negócios continuam, a vida segue em frente e as instituições garantem um controle razoável de quaisquer desvios de curso. Precisamos ter essa dimensão relativa da política para poder gerir nossos negócios com eficiência.

É verdade que, nas últimas décadas, muitos empresários se aproveitaram dessa proximidade com o Governo e se locupletaram do poder conivente. A Lava Jato, e todas as suas consequências, nos acena com uma nova dimensão moral e cívica para o País. E isso também é uma grande oportunidade que podemos aproveitar.

Até hoje, estávamos numa guerra assimétrica, em que a competência e a eficiência acabavam sendo empanadas pelo conchavo e benesses a um bando de privilegiados e favorecidos. Mas isso mudou, ou está mudando. E a imprensa livre e democrática está tendo um papel fundamental nessa revisão moral do País.

Não haverá mais espaço para amigos do rei e sim para amigos do roi – return on investment. Podemos agora competir em pé de igualdade, sem favores escusos ou benefícios implícitos. É hora de trabalhar e esperar resultados pelo esforço e dedicação, não pela mão invisível da corrupção. Como diria o Barão de Mauá, “O melhor programa econômico do governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, empregam, trabalham e consomem!“.

A verdade é que somos donos do nosso destino. E precisamos exercer esse direito e essa obrigação em nome de um país mais justo e mais promissor. Pessoas e organizações não devem apenas se preparar para o que vem por aí. Devem provocar e alterar esse caminho. Por isso, mais do que almejar ou tentar prever algo para 2018, devemos agir agora e transformar 2018 na realidade que queremos. Essa é a nossa verdadeira missão...