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Bom dia, tecnologia!

Walter Longo
Autor
Walter Longo
Bom dia, tecnologia!

Hoje, na primeira meia hora depois de acordar, um terráqueo médio já interagiu com mais tecnologia do que o seu avô sequer imaginava ser possível. A rotina matinal, que todo mundo percebe como trivial é uma conquista tecnológica sem precedentes na história. Vivemos tão completamente imersos em tecnologia que mal notamos sua presença e muitas vezes não percebemos o quanto ela nos faz superpoderosos e o quanto ela empurra nossa espécie para viver mais tempo, com mais saúde e conforto.

Por exemplo, alguém percebeu que, em um colchão, as molas acabavam por ser influenciadas por suas vizinhas, mas que se fossem embaladas uma a uma seu comportamento mudaria e elas poderiam oferecer a resistência certa para cada curva do corpo que deitasse sobre elas. Isso é honrar o significado grego da palavra tecnologia, é criar um método para organizar o que se sabe de modo a obter um resultado mais eficiente.

A palavra tecnologia é a combinação de tekne (que significa arte, método ou ofício) e logos (conjunto de saberes). Ou seja, pode ser definida como a arte de coordenar conhecimentos científicos de forma a produzir resultados palpáveis. Normalmente as pessoas associam tecnologia à inovação e isso nos leva à sua associação com o mundo digital, área em que a ciência aplicada tem trazido os resultados mais impactantes para a nossa realidade nos planos afetivo, filosófico e produtivo.

Mas, o fascínio por tecnologia nada tem de novidade. Quando um hominídeo ancestral criou o primeiro instrumento de pedra lascada, imediatamente conquistou uma vantagem competitiva em relação ao seu vizinho porque o equipamento o tornava mais produtivo, portanto, mais próspero. Não demorou para que esse diferencial se tornasse acumulação e poder. Portanto, o valor percebido da tecnologia sempre foi alto.

Seja no colchão ou no smartphone, o fato é que há mais tecnologia embarcada em tudo o que usamos do que nos damos ao trabalho de perceber. No entanto, é preciso reconhecer que a mágica que se expressa na telinha do celular é mais impactante. Mas, ainda assim, o grau de fascínio varia. O deslumbramento é maior para quem nasceu na era analógica do que para os que vieram ao mundo depois de 1990. Esse efeito é compreensível já que o primeiro impulso das pessoas é só reconhecer como tecnologia o que foi inventado depois do seu nascimento. O que havia antes era parte da vida. A novidade é sempre o que vemos chegar, o que nos surpreende. E é inexorável que as surpresas aconteçam.

A tecnologia se comporta como a fênix, o pássaro mitológico que quando sentia necessidade de se renovar entrava em autocombustão para renascer das cinzas. Quando uma inovação tecnológica é criada, ela mata a tecnologia que a precedeu e sabe que esse também será o seu destino quando um aperfeiçoamento vier e ela se tornar obsoleta.