Wilson Baldini Junior's story
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Há 52 anos, o boxe tinha o seu Rei

­ Em 25 de fevereiro de 1964, o jovem repórter Robert Lipsyte, do New York Times, foi destacado para ir ao Miami Beach Convention Hall para cobrir a luta entre o campeão dos pesos pesados, Sonny Liston, e o desafiante Cassius Marcellus Clay. Logo que chegou a Miami, o jornalista recebeu um telefonema de seu editor, que o aconselhou a decorar o trajeto do ginásio até o hospital mais próximo, pois a vitória de Liston deveria ser rápida e massacrante. A bolsa de apostas confirmava a previsão da imprensa: o campeão era o favorito na proporção de 7 por 1. “Foi a única vez que me apavorei em um ringue”, confessou Clay, que se transformaria em Muhammad Ali duas semanas após a luta, ao se converter ao Islamismo.

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Ao contrário de Clay, um garoto arrogante, que chamava atenção por não parar de falar e tinha o apelido de “The Lip” (O Lábio), Liston não demonstrava qualquer sentimento, não tinha expressão. Ele era considerado um homem mau, ligado à Máfia e que havia precisado de menos de cinco minutos para massacrar o ex­campeão Floyd Patterson com dois nocautes fulminantes no primeiro assalto. Na cadeira de ringue número 7 sentou­se Malcolm X, mentor e convidado de Clay. O ex­campeão Joe Louis era um dos comentaristas. Celebridades como o cantor Sammy Davis Jr., o ex­campeão Rocky Marciano e o lendário campeão dos médios Sugar Ray Robinson – com um terno muito bem alinhado – espalhavam­se pelo ginásio, que recebeu apenas 8.297 espectadores, o que causou um prejuízo de US$ 300 mil aos organizadores. Clay e seus financiadores ficaram com US$ 630 mil, enquanto seu rival embolsou US$ 1,3 milhão. Nunca se soube dizer o motivo do fracasso de público. Três possibilidades foram especuladas: o favoritismo absoluto de Liston, os rumores da conversão de Clay à Nação do Islã e a tempestade que atingiu Miami naquele dia.

Clay foi o primeiro a subir no ringue. Usando um calção branco com listras vermelhas, ele golpeava o ar e saltitava sem parar, esbanjando ótima forma, com 95,3 quilos. Liston, com 99 quilos, usando calção branco com listras pretas, vestia roupão e capuz. Era a imagem de um carrasco. Tão logo o juiz Barney Felix deu início ao combate, Clay mostrou que a noite seria longa para o campeão. Veloz, ágil e inteligente, o desafiante era um alvo difícil de achar. “Os olhos de Liston indicam quando ele vai soltar um golpe forte. De algum modo, eles tremelicam.” Mas Clay não se limitou a defender­se. Ele chegou a atingir o campeão com oito jabs seguidos no primeiro round, deixando­o atônito com o seu arsenal de golpes. Ao fim dos três primeiros minutos de combate, Liston simplesmente não se sentou em seu córner, de tanta raiva que sentia por ter sido dominado como um iniciante.

No segundo round, Clay mostrou que sua superioridade não era passageira, pois continuou em vantagem e abriu um corte no rosto do adversário. Quando o terceiro round começou, ele partiu para aumentar o estrago e conseguiu com uma sequência nas cordas. “Naquele momento, eu percebei que Liston havia envelhecido 20 anos.” No quarto round, desesperado com a desvantagem na luta, o campeão ordenou à sua equipe que esfregasse em suas luvas uma substância que deixaria Clay “cego” por um tempo, o necessário para que ele acabasse com a luta. Ao fim do assalto, os olhos do desafiante começaram a arder.

Após o soar do gongo, Clay foi para o córner e pediu para que a luta fosse interrompida, pois não enxergava nada. O técnico Angelo Dundee passou o dedo próximo ao olho de seu pupilo e o esfregou em seu próprio olho, percebendo que aquilo ardia como pimenta. Ele, então, passou uma esponja com água nos olhos de Clay e o mandou correr durante todo o assalto. A tática deu certo. O garoto atrevido conseguia se esquivar dos fortes golpes de Liston e, a 30 segundos do fim do round, já estava livre do problema nos olhos. Cansado, humilhado e desmotivado por não ter conseguido usufruir de sua artimanha, Liston foi espancado no sexto round, recebendo todos os golpes do boxe.

Ao fim, dirigiu­se para o córner, sentou­se e disse: “Chega”. O mundo tinha um novo campeão peso pesado. “Eu sou o rei. Sou o rei. O rei do mundo. Engulam suas palavras”, berrava Clay para os espantados repórteres, quase escondidos pelo nevoeiro da fumaça dos cigarros. Liston foi para o Hospital St. Francis, enquanto Clay se dirigiu para o Hotel Hampton House, onde conversou com Malcolm X e Jim Brown, craque do futebol americano. Ele festejou tomando um enorme sorvete de baunilha. Os dois voltaram a se enfrentar em 1965, com nova vitória de Cassius Clay, ou melhor, Muhammad Ali, que perdeu o título por se recusar a lutar na Guerra do Vietnã. Ele voltou a ser campeão em 1974 e 1978. Parou de lutar em 1981 e sofre do Mal de Parkinson desde 1984. Ali está com 74 anos.

O fim do programa do Jô e o fim do humorismo no Brasil

A Rede Globo anunciou esta semana o fim do Programa do Jô, após quase 30 anos no ar. Com a saída de Jô, oo humorismo no Brasil acaba.

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É verdade que o programa dele não é de humor, mas tinha suas inteligentes sacadas, que davam um "molho" especial às entrevistas dos convidados.

Quando vejo a "Escolhinha do Professor Raimundo", edição com Chico Anísio, ou "A Praça é Nossa", com Manuel de Nóbrega, sinto de saudades de Golias e Cia., que sabiam fazer as pessoas em casa morrerem de rir, sem apelar para palavrões, nudez ou sacanagens.

Uma pena. Ainda bem que as redes sociais estão aí para não deixar que nada morra em nossa memória.

Hikayeyi okudun
tarafından yazıldı