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A Poesia de Marise Hansen

Victor  Zequi
há 8 meses5 visualizações

(artigo publicado na revista Cognito em julho de 2016, que pode ser lida na íntegra aqui: Cognito)

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“Não dá pra ignorar a poesia da Marise, cheia de belos achados”. É assim que o músico, compositor e artista visual Arnaldo Antunes abre a contracapa do livro Porta-retratos (Ateliê Editorial/2015), estreia da escritora e professora de literatura do Colégio Bandeirantes, Marise Hansen, que reúne uma série de poemas (de redondilhas a poemas concretos), escritos ao longo de sua jornada. Lançado em dezembro de 2015, Porta-retratos já teve sua primeira edição esgotada nas prateleiras da editora. Quando a Cognito procurou uma entrevista exclusiva com a autora, já sabia o que esperar: uma conversa extremamente agradável e enriquecedora. A autenticidade da obra de Marise reflete em seu jeito de ser, criar e se expressar. Ainda assim, a poeta nos surpreendeu com a lucidez e clareza de todas as suas respostas. Marise carrega a poesia em sua fala, e sua vida e arte confundem-se em uma solução homogênea, mas extremamente verdadeira. A entrevista, realizada em uma das salas da escola em que leciona a educadora, deu um novo aspecto à conversa, que foi algo além do que já esperávamos: uma aula.

Boa leitura!

A Poesia de Marise Hansen

Cognito: Marise, primeiramente, um feliz dia das mães para você, que além de poeta é mãe. Você lançou recentemente seu primeiro livro de poesias, Porta-retratos (Atêlie Editorial – São Paulo 2015). Queria que você contasse um pouco sobre como foi sua experiência durante o processo até finalmente publicá-lo. Quanto tempo levou, quais foram suas motivações, inspirações, obstáculos, enfim, o que você considerar importante falar.

Marise Hansen: Bom. Poesia eu escrevo faz bastante tempo, desde a adolescência. Sempre foi algo que esteve muito em mim. Aí veio o fim da faculdade, comecei a trabalhar...

C: Você fez letras.

MH: Fiz letras. Na USP (FFLCH).

C: E desde sempre você soube que queria letras?

MH: Desde sempre eu quis dar aula! Minha mãe foi professora, recebi muita influência por parte da minha família. Minha brincadeira preferida era dar aula. E aí na faculdade, como eu estudei poesia em inglês, tinha que escrever poesia, ou texto livre, não lembro agora, na língua inglesa, eu escolhi fazer em inglês. E foi bacana, um pessoal leu, gostou. Mas daí depois veio o trabalho, comecei a trabalhar aqui, – aponta para o chão do Colégio Bandeirantes – vieram os filhos. Acabei focando mais no trabalho e a produção ficava em segundo plano.

C: Seus filhos estão com 13 e 15, não?

MH: Sim, o André (15) e o Pedro (13), que inclusive estudam aqui no colégio.

Então eu tive esse período de formação, que foi muito importante. Pra escrever não tem jeito. Tem que ler. Além de escrever tem que ler muito, pra expandir o seu repertório, e dar aula foi muito legal nesse aspecto, porque você tem que se atualizar toda hora. Se você vai dar aula sobre o poeta X, não bastar conhecer só poeta X. Tem que conhecer X, Y e Z. Quem influenciou quem, tem que dar exemplos... Mesmo que você não queira, tem que saber de tudo. Mas eu sempre gostei de ler poesia. E aí que acabei eventualmente retornando com a criação, bem freneticamente. E depois de um tempo você acaba tendo um volume de texto, conteúdo, e quando se dá conta você pensa: ”Pô, eu tenho um livro... isso aqui dá um livro”. E aí como eu tenho alguns poemas, e o primeiro até, que tem a imagem poética do porta-retratos... eu gosto muito de fotografia, gosto muito da imagem, e muita coisa que escrevo é inspirado pela fotografia, eu gosto muito do instante... Poesia é isso né? Você, de alguma maneira, flagrar um instante que por algum motivo você vai achar poético. Uma cena, uma reação, uma pessoa, um diálogo... Como se fosse uma foto. E eu gosto muito, também gosto muito do porta- retratos (objeto). Eu faço alguns caseiros. A foto do porta-retratos, na primeira página do livro, foi um que eu fiz. Fiz a moldura com colagens e está lá em casa. Adoro.

C: E que foto está nele?

MH: É uma foto minha com o André e o Pedro lá em Codisburgo, onde nasceu João Guimarães Rosa, que é o escritor que inspirou o doutorado que estou fazendo hoje. A princípio o nome do livro seria Inverso, In(verso), até para brincar com essa questão do invertido e também com a de “adentrar” o verso. Mas depois eu percebi a forte ligação com as fotos, e esse poema que eu gosto muito, muito mesmo tem tudo a ver. Aí gostei desse nome. Eu percebi que dava pra separar os poemas em categorias, e então vieram as “sessões” do livro, que remetem ao porta- retratos: a Escolha (da foto), a Moldura, o Instante, Retratos e a Paisagem. E então alguns amigos poetas ficaram entusiasmados, o Frederico Barbosa gostou, disse que ia me ajudar a publicar, o Arnaldo Antunes, que é um poeta que admiro muito, se dispôs a ler e me falou mais ou menos o que ele escreveu na quarta capa. O Ricardo Aleixo também, que foi quem fez a apresentação... então essas pessoas foram me dando segurança, e eu acabei indo atrás da Ateliê pra publicar, já tinha publicado um prefácio de um romance do Eça de Queiroz com eles. E aí publiquei. E continuo escrevendo, essa fase do livro é até uma fase anterior da que eu estou agora, mas gosto de tudo que está aqui, não renego nenhum poema não (risos). Mas acho até que já tenho material para um segundo livro...

C: Íamos perguntar isso, até achei que poderia ser muita pressão, mas pelo jeito, não mesmo. Marise, tem algum poema que você tem um carinho mais especial? Sabemos que é uma pergunta difícil de ser respondida.

MH: Acho que é esse daqui, que eu coloquei em primeiro lugar (Mise en Abyme I. Escolha) – aponta para o livro – fui eu mesma que escrevi, mas sempre que leio eu me emociono. Porque remete muito a essa coisa da escolha né... a dois – de um endereço, de um nome, a três – de outro nome, até a sós, porque tem um momento que é você com você né...

C: Vários, por sinal.

MH: Vários, aliás (risos). Exato. Então vai desde escolha de um perfume, pra sair, até a de um Deus, de um rumo, de um ato, e também das fotos do porta-retratos, que é algo que eu faço bastante. Também gosto bastante do poema “Peixe”, o Arnaldo Antunes gosta bastante do “Peixe” também. Ele é sobre ser gauche, sabe? Me identifico muito.

C: Gostaríamos de saber quais foram suas principais influências e como elas afetaram o seu fazer-artístico?

MH: Dos brasileiros... eu acho que todo mundo é influência de todo mundo na verdade né? Acho que o (Manuel) Bandeira tem essa questão do instante poético, do flagrante, o ritmo, porque é o jeito como você conta que faz toda a diferença. Às vezes só de você trocar a ordem das palavras ou mudar uma palavra já muda tudo. E isso do poema ser um artefato a ser construído é algo que me agrada muito. É do João Cabral de Melo Neto. Esse rigor na estrutura, sem ser um parnasiano, porque mesmo que o poema seja livre, não dá pra fazer um texto “desossado”, que não leva a lugar nenhum, nesse aspecto a poesia concreta me influenciou muito (o livro de Marise conta também com alguns poemas concretos), porque ela explora tudo isso: o som, a estrutura, o visual, as letras têm um corpo poético, porque tudo tem uma “fagulha” de poesia. Do Drummond, claro, esse jeito... do desajuste, sabe? Porque, bom... não vem que não tem. Poeta tem que ter esse olhar desajustado, não um “desajustado social”, não é isso, mas tem que ver tudo diferente, se não, não é poesia, não tem jeito. Essa coisa do perplexo. Acho que tenho, por causa dele, esse olhar permanentemente perplexo. E finalmente, um poeta dos meus favoritos, que é o João Cabral de Melo Neto, que é o poeta da disciplina. Então aprendi muita estrutura com ele, e ritmo com o Bandeira, até porque eu tive a segurança de me chamar de “poeta” quando senti firmeza no que diz respeito ao ritmo, e hoje é fácil pra mim escrever um verso e pensar “Opa, aqui não tá legal”. Poesia não é só juntar imagens, criar metáforas, ter um bom repertório lexical... é tudo isso e mais a questão do ritmo, de juntar tudo, poesia é o ritmo, porque é o jeito como você conta que faz toda a diferença. Às vezes só de você trocar a ordem das palavras ou mudar uma palavra já muda tudo. E isso do poema ser um artefato a ser construído é algo que me agrada muito. É do João Cabral de Melo Neto. Esse rigor na estrutura, sem ser um parnasiano, porque mesmo que o poema seja livre, não dá pra fazer um texto “desossado”, que não leva a lugar nenhum, nesse aspecto a poesia concreta me influenciou muito (o livro de Marise conta também com alguns poemas concretos), porque ela explora tudo isso: o som, a estrutura, o visual, as letras têm um corpo. E da poesia inglesa tem também o Shakespare, que tem aquele brilho intelectual incrível, assim como Camões, e o John Donne, do barroco, até cheguei a escrever algumas traduções dele e quero publicar. É um escritor também do conceito, do raciocínio.

C: Você mencionou um possível segundo livro. Como está essa ideia? Já em prática ou apenas no mundo onírico?

MH: Bom, material eu já tenho, e são poemas mais puxados pra questão emocional da experiência. Só não tenho ainda a ideia da concepção, de como esse livro vai sair, e agora estou numa parte difícil do meu doutorado, então acho que vai ficar para o ano que vem.

C: Conte-nos sobre o doutorado.

MH: Estou trabalhando a relação com os escritos do João Guimarães Rosa com a revista Senhor, que é uma revista muito assimilada com a Pif Paf, o Millôr colaborou na Senhor, é uma revista dos anos JK, que pra você ter uma ideia reuniu Clarice, Drummond, Glauber Rocha. Era uma revista muito refinada em termos de cultura, e ela durou pouco, de 59 a 64, quando veio o golpe, inclusive vou abordar isso no doutorado, e acabou faltando verba e a revista acabou. O Rosa publicou 7 novelas lá... 7 contos ou novelas, e a Senhor marcou o fim de uma era né, veja bem: Bossa-nova, cinema novo, um Brasil novo, moderno. E o fim disso com o regime militar.

C: Como é que você vê a poesia na contemporaneidade? Isso é, atualmente vivemos na era da informação, e em meio a essa freneticidade de conteúdo raramente paramos para ler algo com verdadeira calma e compreensão, “viajamos” nas palavras, refletimos… Você acha que isso ameaça os escritores, mais precisamente os poetas, de alguma forma? Ou se isso ajuda na divulgação e facilita a visibilidade? O que você acha que deve ser feito para manter a poesia, digamos assim, “viva”?

MH: Eu acho muito legal a descrição que você começou a dar sobre a era da informação, as redes sociais, os compartilhamentos, porque isso é exatamente o oposto da poesia. É tudo muito superficial, tudo muito rápido, instantâneo e a poesia te chama para o contrário. É tudo muito aprofundado, não adianta ler rápido, exige tempo, e por isso penso que a literatura deveria ter muito mais penetração nas escolas. Agora sim, as redes sociais dão sim uma visibilidade e também uma resposta muito grande para qualquer artista, que pode publicar independentemente um texto e mostrar para o mundo todo, tanto é que hoje em dia muitos poetas têm muito material publicado online, eu por exemplo sempre procuro publicar nos meus perfis, inclusive coisas que estão dentro do livro.

C: Talvez as pessoas comprem os livros hoje para dar um suporte ao artista como quem diz “gosto do seu trabalho, e mesmo que eu possa acompanhar grande parte dele gratuitamente online, vou comprar o livro para ajudar a manter ele acontecendo, e ainda terei isso registrado de maneira física”, o que é bem legal, e diferente.

MH: É isso mesmo.

C: Você estava falando da educação. Falta mesmo literatura nas escolas? Como é a relação dos alunos com a literatura? Tem muita gente querendo escrever? Bastante gente talentosa?

MH: Acho que falta sim mais literatura e poesia nas escolas, principalmente na rede pública. Aqui no Bandeirantes, por ser um colégio particular, tem um bom espaço para o ensino, uma grade boa, professores excelentes, então é uma realidade diferente. Agora na rede pública, não adiante chegar e dar a mesma aula que a gente dá aqui, porque não bate. Não é a mesma linguagem, a deficiência é muito mais grave, muito aluno que não consegue ler, e não quer ler, por exemplo, um Camões. Mas a poesia, principalmente nessa fase da adolescência é muito importante porque conscientiza, influencia demais. Mas tem que ser interessante. Existem projetos incríveis que acontecem na periferia, como a Cooperifa, que levam a poesia para esses lugares, poesia da rua. Tem muita ligação com o rap, o hip-hop, arte urbana. O Renan Inquérito publicou um livro chamado Poesia Pra Encher A Laje (LiteraRUA/2016) que como o próprio título sugere, é uma poesia muito ligada por exemplo, à oralidade. E é muito bom, você fica impressionado. Já trabalhei dando aula na rede pública, mas foi muito difícil, tem criança ali com todo o tipo de problema, às vezes aluno que nem tem o que comer. Pretendo, no entanto, trabalhar com algum projeto relacionado à educação pública mais pra frente, até porque eu estudei em escola pública e bom, tenho muita vontade de fazer algo por isso, de educação relacionada à poesia. Quanto aos alunos, vejo que tem sim muita gente interessada, o que falta muitas vezes é um incentivo, uma porta de entrada pra quem ainda não se deu ao trabalho de ver se gosta ou não. E isso é normal, ainda é cedo. Você perguntou se tem gente talentosa, e eu digo que muitas vezes a gente só descobre isso depois, quando a pessoa sai da escola, começa a se revelar, a se interessar por tal coisa, e que faz bem. É uma caixinha de surpresas. Teve um aluno meu que era de exatas. Se formou e foi fazer um “mochilão” pelo mundo, e ele escreve cada texto dos lugares... coisas incríveis, dava pra fazer um livro. E na escola muitas vezes você não consegue ver isso. Mas sempre tem um ou outro ali que você vê, tem sim um jeito com as palavras.

C: Por fim, quais são os escritores e poetas que você mais admira na atualidade? Vale citar seus amigos mais próximos, livros que mais gostou de ler, obras que você está esperando sair...

MH :Ultimamente eu tenho lido relativamente pouca prosa, estou lendo bastante o que foi incluído na lista da Fuvest, o romance Mayombe do Pepetela que é um escritor angolano, também tem o Mia Couto, e eu achei muito legal essa incorporação da literatura africana no vestibular. Agora, poesia contemporânea eu acompanho muito. Então tem muitos poetas... o Ricardo Aleixo, uma também mineira que se chama Ana Martins Marques, a Alice Ruiz, que foi casada com o Paulo Leminski, no nosso sarau aqui no Bandeirantes queremos homenageá-la esse ano. Então é isso... nós temos escritores muito bons, poetas contemporâneos fantásticos e isso é ótimo. E que continue assim (risos).

A Poesia de Marise Hansen

Loving Vincent: A Pintura em Cinesia

Das telas de ateliê às telas do cinema, filme dá vida e movimento às obras do pintor pós-impressionista Van Gogh.

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(artigo publicado na revista Cognito em julho de 2016, que pode ser lida na íntegra aqui: Cognito)

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Loving Vincent: A Pintura em Cinesia

Se por um lado a vivência conturbada do pintor neerlandês Vincent Willem Van Gogh resultou na sua morte prematura e inesperada, por outro, todo esse caos contribuiu para o fascínio de milhares de pessoas em relação à sua vida e obra, que influenciou intensamente o mundo das artes. Foi esse o motivo que levou a pintora e animadora polonesa Dorota Kobiela a dirigir o longa-metragem pioneiro Loving Vincent que, pela primeira vez no cinema, contará a história do artista por meio de animações realizadas com telas a óleo. A proposta do filme é animar mais de 120 de seus mais renomados quadros e deixar que alguns dos personagens das obras contem a sua história.

A ideia surgiu de uma carta enviada por Vincent à seu irmão Theo, na qual escreveu que ‘‘não há melhor forma de se comunicar, se não pela pintura’’. Seguindo essas palavras, mais de 800 cartas escritas pelo artista foram analisadas para o desenvolvimento do enredo, que contará com a ajuda de 30 pintores de todo o mundo que irão pintar à mão, frame por frame, cerca de 56.800 telas seguindo a mesma técnica e estilo de Van Gogh, compondo cerca de 80 minutos de filme.

Antes do trabalho manual, alguns atores foram escalados para gravarem cenas em que interpretam os personagens das telas do pós-impressionista, entre eles Jerome Flynn, o Bronn de Game of Thrones, que interpreta o Dr. Paul Gachet, apaixonado por arte que tratou Vincent e diversos outros pintores da época, e que aparece em alguns de seus quadros. Somente depois disso que inicia-se o processo de pintura, seguindo as expressões do artista e as mudanças no ambiente, quadro por quadro.

O projeto, que é realizado por duas produtoras de filme em parceria, a Breakthru Films e Trademark Films, conta também com a produção de Hugh Welchman, britânico que já soma mais de 20 prêmios em festivais internacionais, incluindo o oscar de melhor animação em curta metragem, de 2008 por ‘‘Peter e o Lobo’’, que foi o que acabou aproximando-o da diretora polonesa. Após receber o prêmio, o Ministério da Cultura polonês convidou-o para fazer um filme sobre as músicas de Frédéric Chopin, e enquanto buscava animadores para ajudá-lo, conheceu Dorota. O produtor passou a trabalhar integralmente no projeto desde 2012, quando tomou conhecimento do mesmo.

Loving Vincent: A Pintura em Cinesia

Em 2014 foi criada uma campanha de sucesso no site Kickstarter, com o obetivo de arrecadar fundos para a concretização do filme. Da meta de 40.000£ foram arrecadadas 53.292£, de 796 apoiadores diferentes, e também recebeu o respeitável selo de ‘‘projetos que amamos’’ do time gerenciador do website. Além disso, artistas que trabalham com artes plásticas e estiverem dispostos a contribuir com o projeto, recebendo inclusive treinamento por parte da empresa, podem mandar seus portólios pelo site http://join.lovingvincent.com/#contact . No site também estão disponíveis diversos vídeos de making of. Estima-se que tudo deva ser concluído até setembro desse ano, e que o lançamento venha a acontecer em algum ponto de 2017.

Pode-se dizer que toda essa mobilização tem sim um certo caráter informativo, histórico; e que o filme busca, com um leve tom de documentário, contar a história de um dos maiores e mais influentes artistas que já passaram pela Terra. Entretanto, esse fato até torna-se pequeno diante da imensidão do projeto, que revela outro objetivo: um passional. Vincent Van Gogh sempre deixou clara a sua paixão pela arte. Nas cartas para o irmão (que foi seu verdadeiro herói), sempre detalhava o prazer em criar, e o orgulho que sentia de seu esforço. Vincent foi um homem que sempre acreditou no seu trabalho, enquanto poucos o fizeram. Seu desejo enquanto vivo, sempre fora o de poder tocar as pessoas com suas explosões policromáticas, queria que o mundo inteiro visse o que podia oferecer. Todos os envolvidos na criação do filme trabalham intensamente com o coração, dando voz a quem nunca pode tê-la e trazendo à vida suas obras. As pinturas de Van Gogh agora respiram, e de canto, o pintor esboça um sorriso discreto e orgulhoso em seus autorretratos. O sorriso de um homem que muito sofreu enquanto vivo, mas transcendeu sua arte pelo tempo somente para ter seus sonhos realizados hoje da maneira qual sempre esperou: verdadeira e autêntica.

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zequi
Não escrevo por dinheiro, mas bem que poderia...