A tragédia de Brumadinho e a espera por justiça

Passados quase cinco meses da tragédia do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, a cidade ainda enterra seus últimos mortos.

Restos mortais ainda são encontrados sobre a lama que, cada vez mais, consolida-se como um solo, não mais como um amontoado de barro e rejeitos líquidos. E desse solo nasceram, mês passado, as primeiras árvores.

Como flores no asfalto, arvores brotam no meio da lama

As primeiras mudas começaram a brotar do solo já endurecido mês passado. Alguns moradores da região acreditam que as pequenas plantas são oriundas das árvores que foram soterradas pela lama, mas não tiveram suas raízes arrancadas pela tragédia. É a vida que insiste em brotar, mesmo em locais onde tudo parece morto e destruído.

De fato, tudo mudou muito no pequeno município mineiro desde o rompimento da barragem, no final de janeiro deste ano: a Vale era a principal empregadora da região e do trabalho na barragem advinha a subsistência de muitas famílias – algumas das quais perderam mais de um de seus componentes na tragédia.

O turismo do município também foi afetado – embora a principal atração, o museu de Inhotim, não tenha sido atingido pela lama.

Quem são os responsáveis pelo rompimento da barragem?

Em relação à mineradora, a punição desenrola-se de forma lenta, tal como aconteceu com a tragédia em Mariana, em 2015.

O presidente do Conselho de Administração da empresa, Fabio Schvartsman, afastou-se do comando em março deste ano, junto com outros treze funcionários em carreiras de direção, após recomendação da força-tarefa que investiga as causas do acidente.

Foram presos, ainda em fevereiro, oito engenheiros e outros funcionários da Vale responsáveis por atestar a segurança da barragem de Brumadinho.

Famílias continuam na espera

Famílias aguardam, até hoje – quase 150 dias após a tragédia – indenizações capazes de contornar, ao menos financeiramente, todas as inúmeras perdas. Vidas nunca serão devolvidas.

O ecossistema abalado pode demorar de anos para se recuperar , não há como mensurar o tempo e os danos causados por conta desse rompimento.

0