Ansiedade, pressa e desespero: males da atualidade

Vivemos com pressa, ao mesmo tempo em que não temos tempo para nada: essa é a máxima da existência nos tempos atuais.

Uma angústia permanente assola a todos, como resultado de uma condição, também permanente, de ansiedade e, por que não, de um excesso de motivação: recebemos informações demais, temos escolhas demais, a vida se mostra, de forma errônea, como um conjunto de infindáveis possibilidades.

E isso é frustrante, porque nos mostra, a todo o momento, que a vida é um sem fim de vazios e instabilidades.

Bateu o desespero?

E essa instabilidade traz junto de si o desespero. Desesperar significa, etimologicamente, não esperar por nada. Respeitar essa condição e refletir sobre ela é essencial para nos estabilizarmos, psicológica, social e emocionalmente e retomarmos as rédeas da nossa existência real: o reconhecimento da finitude e da incapacidade de realizar todas as coisas, o reconhecimento das nossas limitações é, ao mesmo tempo, frustrante e libertador, pois nos devolve ao centro da nossa existência.

“De onde vem a calma daquele cara, ele não sabe ser melhor viu?” - os versos da canção da banda Los Hermanos ecoam nesse texto, pois a calma advém do reconhecimento de sabermos que somos imperfeitos. 

Mas o que fazer?

Ao reconhecermos a nossa imperfeição, nos estabilizamos e aprendemos que temos que utilizar técnicas capazes de nos colocar, de forma plena, no que podemos fazer.

Se somos imperfeitos, gerir o tempo é fundamental. Superar a ansiedade passa, necessariamente, pela organização da nossa rotina, das nossas ações, da nossa narrativa.

À medida que nos limitamos, nos acalmamos, porque quando as possibilidades ficam estabelecidas, o nosso raio de ação torna-se visível, demarcado. Quer um exemplo disso? Pense em um bebê no ventre da sua mãe: o útero limita seus movimentos e lhe dá segurança.

Precisamos nos sentir seguros

Quando esse bebê nasce, enfermeiras e avós ensinam as mães de primeira viagem a enrolarem o pequeno em mantas bem enroladas, com o corpo inteiro dele dentro delas – inclusive os braços. Isso limita o movimento do bebê, mas ao mesmo tempo o acalma, porque ele não parece mais solto em um mundo desconhecido.

Talvez o grande mal do mundo atual seja a ansiedade em querer ter uma vida perfeita. Reconheça que você não pode tudo, organize o seu tempo, suas atividades e sua mente. E não compare a sua vida com a vida de ninguém: cada pessoa tem a sua própria narrativa, a sua singularidade - reconhecer isso acalenta, acalma e traz paz.

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