Gari que faz biomedicina e cumpre jornada dupla sofre preconceito de “amigo”

 

Cleverson de Azevedo Silva é um estudante de 21 anos, trabalhando como gari, ele sofreu preconceito de um “amigo” no último sábado (30). Na função “perguntas” do Instagram, ele recebeu uma mensagem que o entristeceu: “faz biomedicina e é gari?”.

“As pessoas deveriam pensar um pouco antes de falar, palavras têm peso. Já não é uma profissão valorizada, e ainda tenho que passar por isso”, desabafou. “Eu me senti ofendido, ele quis dizer que gari não pode fazer nada. Me magoou bastante, ainda mais por ser um amigo próximo. Assim que ele viu que eu divulguei o print, mesmo sem identificá-lo, ele me bloqueou. Ainda não pediu desculpas nem nada”.

O caso aconteceu em São Paulo (SP), o jovem vive com os pais e mais três irmãos. Ele trabalha de dia e estuda à noite, com o salário paga a faculdade e ajuda nas contas em casa.

Cleverson conta que a biomedicina é um sonho da mãe: “Eu não passei no exército, meu sonho era seguir carreira militar, mas não deu. Aí fui olhar a biomedicina e vi que tem a parte da perícia. Tenho o sonho de me formar e virar perito criminal na Polícia Federal”.

Em meio há muitas mensagens de apoio, o jovem reforçou que tem orgulho de ser gari: “Tenho orgulho de ser gari. Recebi muitas mensagens de apoio, falando para eu continuar estudando, que meu futuro vai ser brilhante. Estou indo para 2º semestre, estudo à noite e trabalho de dia. Dá para conciliar os dois, mas é puxado”.

 
00