Brigas políticas e as festas em família

Brigas políticas e as festas em família

Brigas políticas e as festas em família

O Brasil está dividido: essa é a frase que mais temos escutado nos últimos tempos. Vivemos em um país onde filhos e pais assumem, muitas vezes, posições antagônicas perante os valores, perante as ideologias, perante as visões de mundo. Adjetivos como comunista, esquerdista, reacionário, tomaram nosso vocabulário e entraram nas nossas casas, ocupando a interação das famílias durante as festas, os almoços e os jantares.

Polarização política

Essa polarização foi muito sentida, por exemplo, durante as festas de Natal após as eleições presidenciais de 2018. Poderíamos começar dizendo que “nunca antes na história desse país” os encontros foram tão polarizados, mas a utilização dessa frase causaria, com certeza, a revolta da “tia do Zap” que não gosta dos comunistas.

O “tio do pavê”, personagem tão emblemático daquela piada que, durante anos, dominou as festas natalinas, foi substituído pelo “tio reaça” e pelo sobrinho “lacrador” – duas figuras antagônicas que passam, as poucas horas que convivem junto durante o ano, manifestando seu desprezo pelas escolhas políticas de cada um.

Laços familiares são eternos, gostemos ou não das pessoas que dividem o sangue conosco. E o que devemos pensar é: vamos mudar a opinião dessas pessoas sobre alguma coisa ou só estamos interferindo na liberdade individual delas, à medida que não somos capazes de respeitar a capacidade de escolha que elas possuem? Em uma época tão dividida é impossível não julgar, todo o tempo, as pessoas por suas posições morais e políticas, mas isso não deveria atingir, com tanta força, as nossas relações de afeto.

Discussões políticas

Quer discutir política? Há lugares mais adequados para isso que a ceia de natal ou a mesa durante o almoço de domingo. A internet está cheia de fóruns e grupos onde você pode manifestar suas opiniões sem ter que xingar o seu “tio reaça” ou o seu “sobrinho lacrador” durante os momentos em que estão juntos.

Os encontros familiares poderiam – e deveriam –ser espaços neutros de convivência. Se há um mundo que nos desune, há centenas de coisas que nos unem, que nos aproximam e nos ligam uns aos outros. Utilizemos nossos encontros para rir daquelas histórias que formaram nossos laços, para lembrar das pessoas que vieram antes de nós e que nos fizeram ser uma família. Das circunstâncias que nos ligaram para sempre.

O que fazer?

Isolar-se pode ser uma opção, mas talvez não seja o caminho mais adequado. As pessoas mais inteligentes são aquelas capazes de exercitar a compreensão do outro, mesmo discordando de suas posições e de suas escolhas. A “tia do Zap” tem seus motivos para acreditar no que acredita e você tem os seus. Voltemos com a piada do pavê e com os presentes embaixo da árvore e sejamos capazes de abandonar, por algumas horas, tudo o que nos separa.

Nessa guerra não há vencedores, somente vencidos, visto que a festa perde o seu objetivo clássico: juntar as pessoas para celebrarem, em família, a passagem de mais um ano, ou Natal.  Nenhum homem é uma ilha, já disse Jonh Donne, e mais felizes seremos quando soubermos comungar afeto e respeito.

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