Empresas americanas tentam contornar vetos de Trump à Huawei

Mesmo antes de Trump voltar atrás e suspender o veto á Huawei por 90 dias, algumas empresas norte-americanas chegaram a contrariar o veto estabelecido pelo presidente. As informações são do New York Times

Contexto atual das sanções dos EUA à Huawei

Em maio de 2019, o governo dos EUA colocou a Huawei em uma lista de entidades que são proibidas de importar tecnologia americana sem a permissão do governo. Essa medida serviria para evitar possíveis atos de espionagem do governo chinês por meio dos sistemas e dispositivos de telecomunicações da Huawei, apesar da empresa negar qualquer relação do tipo com o governo da China.

Mesmo a medida americana estando suspensa por 90 dias, as empresas do país já escapam das sanções por comercializar com a Huawei produtos fabricados no exterior, os quais são considerados isentos da proibição, permitindo à empresa chinesa continuar utilizando esses componentes em seus dispositivos.

Ren Zhengfei, fundador e diretor executivo da Huawei, afirmou recentemente que as vendas da empresa fora da China tiveram uma queda de 40% desde que foram adotadas as sanções americanas. Diante disso, o governo chinês convocou uma reunião com executivos de grandes companhias do setor tecnológico como Dell, Microsoft e Samsung para adverti-los de que eventuais reduções ou interrupções de suas operações na China terão consequências.

As empresas americanas concordam com as sanções?

John Neuffer, da associação americana da indústria de semicondutores, afirmou que os membros da associação "se comprometem a cumprir de forma rigorosa" as sanções, mas estava claro que alguns componentes poderiam ser vendidos para a Huawei sem que isso configurasse uma violação da lei.

A empresa americana Micron também afirmou recentemente que retomou a entrega de componentes eletrônicos para a empresa chinesa, considerando o veto dos EUA não afetava certos produtos.

As sanções podem fazer a China desenvolver alternativas à Play Store?

Há algumas semanas, o Facebook, assim como o Google, anunciou que não fará mais a pré-instalação de seus aplicativos em aparelhos da Huawei visando cumprir o veto americano. Como a empresa chinesa, segunda maior fabricante de smartphones do mundo, pode lidar com esse cenário?

Uma das possibilidades que já está sendo trabalhada é a loja de apps chamada de AppGallery, incluída em todos os smartphones da Huawei fora da China desde 2018. A empresa estaria tentando diversificar as ofertas de aplicativos por contatar desenvolvedores, oferecendo a eles apoio de marketing juntamente com maior exposição dentro da loja.

Além disso, na Europa, onde a empresa detém mais de 20% do mercado de smartphones em 22 países, a Huawei buscou fazer acordos com operadoras móveis para que elas incluíssem a AppGallery em seus aparelhos, ganhando em troca parte da receita obtida com a venda de apps.

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