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Enem ganha versão digital a partir do ano que vem

Em 2020, piloto do exame digital será aplicado para 50 mil alunos

Os alunos que fizerem o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a partir do ano que vem, terão algumas novidades em algumas capitais. Em pelo menos 15 capitais, cerca de 50 mil alunos farão parte de um projeto piloto para que o exame seja aplicado, em definitivo, a partir de 2026, na sua forma 100% online.

Ainda não foram detalhados pelo Ministério da Educação (MEC) como se dará a aplicação do exame em sua versão digital, entretanto, o Ministro Abraham Weintrauber adianta que serão três aplicações nestes locais: a normal, no qual todos os candidatos devem se dirigir aos locais de prova para fazê-lo, a reaplicação, aos alunos que tiverem algum problema, ou em consequência de alguma adversidade dos locais de prova, e a versão digital, que será aplicada aos alunos pilotos das cidades escolhidas.

Ainda de acordo com o ministro, versão digital do exame permitirá a exploração de mais recursos gráficos, como tabelas 3D, vídeos e infográficos, aproximando o país da realidade de nações desenvolvidas, como China e Estados Unidos.

Adeus papel

Também o ministério afirmou que, até o ano de 2026, a meta é eliminar por completo a versão em papel. No entanto, para que isto ocorra, é preciso que até lá também seja investido muitos recursos para o alcance da velocidade e da rede de internet no país.

Isso porque em seu último questionário socioeconômico, aplicado em 2018, aos alunos que preenchem os dados para participar da prova, um dado preocupante pode fazer que a ideia de aplicar o exame totalmente digital em sete anos pode ser postergada, se nada for feito em investimentos de redes até lá.

De acordo com os dados colhidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Anísio Teixeira (INEP), responsável pela aplicação do exame, pelo menos 50% dos que se inscreveram naquele ano, declararam que não tinham acesso a internet por computador em casa.

Nos dados não foram contabilizados os acessos a versão de celulares, já que, possivelmente, alguns desses alunos o fazem por versões mais antigas, que possuem rede limitada, e outros já tem acesso a versões mais atuais, com amplo acesso.

Esses números são equivalentes a 2,3 milhões, dos 5,5 milhões dos inscritos no exame ano passado, ou seja, quase a metade dos alunos.

Como será a versão digital?

Segundo MEC, versão digital não necessitará necessariamente de um computador em casa. Especialistas questionam

De acordo com o MEC, a empresa que for contratada para a aplicação do exame será responsável por toda a infraestrutura, incluindo os locais de prova, os fiscais de sala e os computadores.

Apesar de a aplicação de um Enem digital não depender da existência de um computador em casa, ela apresenta relação com o desenvolvimento de habilidades digitais dos alunos, que deixarão de ler e responder às questões da prova no papel, o que também é visto por alguns especialistas como uma exclusão, e que a forma deve ser pensada não apenas a uma camada da sociedade, mas como um todo.

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