Entregador sofre AVC e é ignorado pela Rappi, Samu e Uber em caso absurdo

A única palavra que pode ser usada para descrever esse caso é essa: Absurdo! Um homem que trabalhava como entregador na Rappi sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e foi ignorado pela empresa, pelo Samu e teve seu transporte ao hospital negado por um motorista de Uber.

Thiago de Jesus Dias fazia uma entrega em Perdizes, São Paulo, na noite de sábado (6). O entregador de 33 anos chegou ao endereço onde deveria entregar uma encomenda e começou a se queijar de uma forte dor de cabeça e frio intenso.

A advogada Ana Luísa Ferreira, que havia solicitado a entrega socorreu o homem que acabou se deitando no chão da calçada. “Ele nem chegou a entrar no prédio. Caiu no chão, estava com o corpo enrijecido e reclamava do frio. Ele tremia muito e vomitou algumas vezes”, contou a advogada.

Ali mesmo na calçada, Ana e seus amigos trataram Thiago com cobertores e água, ainda consciente, ele deu seu telefone para a mulher e pediu para que ela contatasse a empresa Rappi para informar que estava passando mal e não faria as próximas entregas.

“Entramos em contato com a Rappi que, sem qualquer sensibilidade, nos pediu para que déssemos baixa no pedido para que eles conseguissem avisar os próximos clientes que não receberiam seus produtos no horário previsto”

Prestes a perder a consciência, Thiago sussurrou “Daiane”, nome de sua irmã. Os amigos se dividiram entre ligações, primeiro ligaram para o Corpo de Bombeiros, eles informaram que a ocorrência havia sido aberta, mas quem deveria atender o caso era o Samu.

Ligaram então para o Serviço Móvel de Urgência e ouviram que “a ocorrência havia sido aberta mas não havia previsão para a chegada da equipe”. O entregador já estava agonizando, tendo convulsões e urinando na roupa.

 

Ana decidiu ligar para a irmã de Thiago, uma diarista de 30 anos com a qual ele morava junto da mãe e de outro irmão. Para chegar ao local de carro demoravam 50 minutos. Nisso se passaram 1h30 e nenhum serviço de urgência apareceu.

Ao se deparar com o irmão, Daiane se desesperou. Segundo a mulher, um motorista de Uber foi chamado para atender Thiago, o homem já estava no banco de trás do carro quando o motorista disse que não levaria o entregador pois ele estava encharcado de vômito e urina, e sujaria o carro.

Ana disse que aquilo era omissão de socorro, e era crime, mesmo assim o motorista cancelou a corrida. Quase que instantaneamente o melhor amigo de Thiago chegou de carro e o transportou até o Hospital das Clínicas.

Chegando lá tiveram mais problemas, pois segundo as informações, só ambulâncias podiam adentrar no local. Eles aproveitaram que uma ambulância estava entrando e colocaram Thiago dentro.

Já era de madrugada quando receberam o primeiro diagnóstico afirmando que ele havia sofrido um AVC. Eram 4h da manhã quando o quadro piorou e o homem foi transferido para a UTI.

“Eu conversei com ele, vi uma lágrima caindo de seus olhos. Parecia que ele entendia tudo. Foi a nossa despedida”

 

No domingo (7), Thiago teve um diagnóstico que apontava suspeita de morte encefálica, às 9h35 do dia seguinte, ele faleceu. O entregador teve seus órgãos doados e foi enterrado na terça-feira.

A família conta que a empresa Rappi só foi procurar a família na noite de quarta (10), devido às proporções que o caso havia tomado. Ele trabalhava 12 horas por dia e raramente tinha folga.

Thiago deixa os irmãos, a mãe e uma filha de seis anos.

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