Ex-diretor do FBI diz que relatório 'não exonera Trump' de interferência russa

O Procurador especial Robert Mueller afirmou nessa quarta-feira que não considera o presidente americano Donald Trump “uma opção” por causa das regras federais que protegem os presidentes, mas usou das suas primeiras observações públicas sobre a investigação russa para enfatizar que não exonerou Donald. “Se tivéssemos confiança de que o presidente claramente não cometeu um crime, teríamos dito isso”, declarou.

Em março desse ano, o presidente Donald Trump se auto afirmou liberado após a investigação do procurador Mueller destacar a ausência de evidência de artifício com Moscou durante as eleições de 2016, criando expectativa para sua tentativa de reeleição. Na época, Trump chegou a elogiar Mueller depois de muito criticá-lo, sugerindo que ele “agiu com honra” e acrescentou: “É uma vergonha que nosso país tenha passado por isso. Para ser honesto, é uma pena que seu presidente tenha passado por isso, foi uma tentativa ilegal de impeachment que fracassou”.

Mas as novas declarações de Mueller servem de refutação às falas enfatizadas de Trump de que ele havia sido inocentado e que o inquérito de dois anos era simplesmente uma espécie de “caça as bruxas”. Elas também retomam uma crítica às críticas, incluindo a do Procurador Geral William Barr, de que Mueller deveria concluir que o presidente tentou, ilegalmente, obstruir a investigação, tomando medidas como demitir seu diretor do FBI. Ficou claro, por parte de Mueller, que nunca foi considerado acusar Trump porque o departamento de justiça proíbe o julgamento de um presidente em exercício, “Cobrar o presidente com um crime não era, portanto, uma opção que poderíamos considerar”, disse ele, durante um comunicado televisionado, e ressaltou que tal ação seria inconstitucional.

Rapidamente, Trump Twittou uma reação um pouco imprecisa: “Nada muda no relatório Mueller. Não havia provas suficientes e, portanto, em nosso país uma pessoa é inocente. O caso está fechado! Obrigado.”

O fato é que Mueller não usou a palavra “Impeachment”, mas deixou a entender que era uma tarefa que caberia ao congresso – não ao sistema de justiça criminal – responsabilizar o presidente ou não por qualquer irregularidade. Foi então que sua declaração ecoou vários pontos de seu extenso relatório, e suas observações foram extraordinários dados para alimentar as especulações de um publico febril, ele repetiu enfaticamente que foi impedido de acusar o presidente de um crime mas o seu relatório “não exonerou o presidente” e no desfecho do seu discurso disse que seu trabalho estava completo e que ele estava renunciando para voltar à vida privada. Sob pressão para testemunhar perante o Congresso, Mueller não descarta a hipótese, mas parece alertar os responsáveis pela legislação que eles não tirariam mais informações dele e que seu relatório é seu “testemunho final”, concluiu.

A investigação de Mueller levou à perda de prestígio do ex-diretor de campanha do presidente, Paul Manafort e de seu ex-advogado particular, Michael Cohen, condenados à prisão por fraude e por falso testemunho. Para muitos políticos estadunidenses democratas, o documento discutido é importante, mas seu campo não deve perder de vista as eleições de 2020 e que a maneira mais clara de acabar com o “trumpismo” é ganhar de forma categórica, nas urnas.

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