Hospital não realiza exame e devolve rim de paciente em garrafa de polpa de maracujá

Um caso absurdo aconteceu na semana passada em Nova Friburgo (RJ). A costureira Maristher Fukuoka de 56 anos estava esperando há quatro meses pelo resultado de uma biópsia no rim de seu marido. Na última quarta (17), ela foi discutir com funcionários do hospital e recebeu o órgão dentro de uma garrafa de poupa de maracujá.

Ela conta que o marido Sebastião Mory sofre com muitas dores nos rins desde o início do ano, em Março ele chegou a ser internado e teve o órgão retirado. Os profissionais afirmaram que o rim tinha um tumor e a biópsia revelaria se era benigno ou maligno.

Sebastião continuou sentindo dores enquanto sua esposa ia periodicamente ao Hospital Municipal Raul Sertã procurar pelo resultado, mas sempre obtinha a mesma resposta de que o exame não estava pronto.

Nesse mês um funcionário acabou revelando pela ela por telefone que o rim ainda nem havia sido levado para o laboratório, mesmo que nos dados conte que o órgão havia sido transportado para o Rio no dia 23 de Março.

Indignada, a mulher foi ao hospital buscar esclarecimento e conta que brigou com os funcionários: “Falei alto, comecei a ficar revoltada e fiz um escândalo que não sei como consegui fazer. Não sei de onde tirei forças”.

Funcionários negavam que o rim ainda estava na instituição, e Maristher rebatia. Depois de muito insistir, para a surpresa dela, uma funcionária entregou uma garrafa plástica com o rim dentro e uma etiqueta de “polpa de maracujá”. A funcionária disse ainda o nome de laboratórios particulares onde o exame poderia ser feito.

“Saí do hospital e fiquei muito nervosa andando com aquilo na rua. Não sabia onde levar. Fui eu e meu marido com aquele pote pela rua, perguntando pelo laboratório que eu nem sabia onde era. Fomos perguntando.”

Maristher e o marido pagaram R$ 600 pelo exame particular e estão aguardando o resultado. Ela conta que já contatou um advogado e pretende processar o hospital. A prefeitura de Nova Friburgo emitiu uma nota:

“O Hospital Municipal Raul Sertã está com uma demanda reprimida na realização das biópsias devido ao desligamento do profissional que, até então, realizava o serviço. Tão logo possível, a Municipalidade providenciou a contratação de um novo profissional (que já está atuando) para efetuar este tipo de procedimento. Sendo assim, a tendência é que, em breve, este tipo de serviço esteja normalizado na unidade.

A respeito do rótulo no recipiente, em que consta escrito “polpa de maracujá”, será instaurado um inquérito administrativo para identificar os responsáveis e aplicar as sanções cabíveis”

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