Interstella 5555 (ou Interstella: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem)

Interstella 5555 (ou Interstella: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem)

Coleção
Interstella 5555 (ou Interstella: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem)

No alto dos meus prováveis 10 anos é onde eu tenho a primeira memória sobre Interstella, um filme de animação de um dos meus grupos musicais favoritos, ou melhor, minha dupla musical favorita, posto que Daft Punk disputa com Black Keys e Chitãozinho e Xororó.

Pra quem não conhece (ou provavelmente não sabe que conhece), Daft Punk é uma dupla de música eletrônica francesa formada por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, com elementos de funk, techno, french house, rock, synthpop e disco.

Pois é, é possível fazer música usando tudo isso.

Eles estão na ativa desde 1993, com 4 álbuns lançados, diversas features com outros artistas, uma trilha sonora completa e um filme. Por isso provavelmente você só não sabe que já conhece eles.

Uma curiosidade interessante, em 1992 a dupla formou uma bandinha de indie rock com Laurent Brancowitz (hoje guitarrista do Phoenix) que eles decidiram chamar de Darlin’, em referência a música dos Beach Boys.

Depois de um sucesso bem moderado, com algumas músicas, um EP e alguns shows, a revista Melody Maker publicou um review sobre a banda, chamando eles de “daft punky trash” (lixo punk bobo, em tradução livre). Apesar da resenha negativa, a dupla achou aquilo incrível e após algum tempo deixou Brancowitz seguir sua vida enquanto eles perseguiam outros planos. Entre eles, Daft Punk.

Mas você veio aqui ler sobre Interstella, certo? Então vamos lá.

Primeiramente falando da parte técnica, Interstella é roteirizado pelos próprios Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, mas também por Cédric Hervet, colaborador que já trabalhou diversas vezes com a banda como diretor criativo, diretor de arte e até mesmo produtor. A produção fica a cargo da Toei Animation, velha conhecida dos otakinhos, já que ela é responsável pela animação de clássicos como Dragon Ball Z, Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon, One Piece, e muitos outros, mas tudo sob supervisão de Leiji Matsumoto, mangaká conhecido principalmente por suas óperas espaciais, dentre elas Uchu Senkan Yamato, conhecido como “Patrulha Estelar” no Brasil. Inclusive, toda essa ideia teve influência pesada de Matsumoto, com a própria história tendo elementos que o autor coloca em suas obras.

Porém, tudo isso seria normal para uma produção de animação, se não fosse o caso da animação ser a realização visual do álbum “Discovery” feito pelo próprio Daft Punk. Sim, isso significa que a animação não tem diálogos, a história completa é dividida entre as 14 faixas do álbum, transformando as músicas em trilha sonora e consequentemente dando o tom de cada cena vivida pelos personagens.

Em resumo, Interstella 5555 (pronunciado Interstella Four Five) é a história de uma banda de um planeta desconhecido que é sequestrada como parte de um plano de um malévolo conde humano para conseguir seu 5.555º disco de ouro e com isso dominar o mundo.

É também a estória de Shep, um astronauta desse mesmo planeta que procura salvar essa mesma banda.

Bom, a partir daqui esse texto vai estar repleto de spoilers, então se meu resumo te deixou com uma coceirinha pra ver do que se trata, eu te proponho dar uma pesquisada no Youtube e assistir antes de continuar o texto.

A história é centrada em 6 personagens: A banda, o astronauta e o conde.

Então, pra começar, vamos falar da banda.

Primeiro falando no geral, a banda não tem um nome logo no início. Na verdade, nenhum deles tem um nome na apresentação de personagens, é só a partir da quinta faixa (ou quinto episódio, como preferir) que são apresentados nomes.

Eles são os Crescendolls.

Os Crescendolls são formados por quatro membros: Octave (tecladista/vocalista), Arpegius (guitarrista), Baryl (baterista) e Stella (baixista), e é unanimidade em seu planeta natal o quanto eles são amados. Pela sequência de apresentação dá pra se ter uma ideia do quão eles são famosos.

Octave:

É o aparente líder da banda, já que é o vocalista. Não só por isso, já que esse seria um motivo idiota, mas durante o filme vemos demonstrações de “líder da banda”.

Numa boy band, ele teria dois rótulos: “O bonzinho” e “O líder”.

É dele a voz de “One More Time”, maior hit da banda no seu planeta natal (e no planeta Terra também).

Arpegius:

Ele é, de longe, meu personagem favorito.

Talvez porque eu sempre gostei de guitarristas nas tramas, mas também porque ele é o personagem mais “badass”. Ele nunca desiste e usa de tudo pra tentar atingir seus objetivos dentro do filme. Em resumo, ele é o Ikki de Fênix da banda.

Se fosse uma boy band, ele seria “O durão”.

Baryl:

O baterista da banda, mas também o alívio cômico.

Ele é muito baixinho em relação aos outros personagens, e os traços do personagem são mais “bobos”. É o personagem necessário de todo filme/animação.

Com certeza ele seria “O engraçado”.

Stella:

Apesar da história girar em torno da banda como um todo, é dela a linha principal.

Ela é o “core” do filme, no segundo ato tudo passa a ser sobre ela.

Mas a gente vai chegar lá.

“A bonita”, por mais clichê que isso seja.

Em seguida temos o meu segundo personagem favorito, Shep, o astronauta.

Ele é apresentado na terceira faixa, “Digital Love”, se mostrando um fãzaço da banda e apaixonado por Stella.

Como Interstella não tem diálogos, essa relação acaba criando algumas teorias. Alguns dizem que ele é só um fanboy apaixonado, outros dizem que ele e Stella realmente tem uma relação.

Isso é um dos pontos que eu adoro em Interstella 5555, o filme é muito aberto a interpretações, o que faz com que você crie sua própria história seguindo o plot do filme.

Shep:

Ele é o herói do filme. É o cowboy dos filmes de bang-bang que precisa salvar sua amada das mãos do maléfico vilão.

Como dito antes, existem duas interpretações. Ele pode ser o fã que ama de longe ou então o maior amor de Stella, como preferir.

De qualquer forma ele parece ser o maior fã dos Crescendolls, o que não é tarefa fácil já que o seu planeta natal tem eles como ídolos.

E pra finalizar, o Conde de Darkwood.

Esse é o vilão de anime em sua forma mais clara. Ele aparece pouco nas primeiras faixas, mas a partir da 4ª faixa aparece até demais. Esse cara tem um plano meio doido, que aparentemente tem sentido. Ele precisa de 5.555 discos de ouro para de alguma forma dominar o mundo. E como ele faz isso? Sequestrando bandas famosas com músicas boas de outros planetas e fazendo lavagem cerebral neles para tocarem na Terra. Não sei se é o plano mais rentável, mas já rendeu 5.554 discos de ouro antes de sequestrar a nossa banda, então pode até ser caro, mas tem dado certo.

Fazendo uma análise mais profunda, Interstella não é sobre a história em si, é mais sobre a jornada. Fora o papo hippie, essa é a melhor definição possível.

Apesar de ter uma história legal e não ser tão longo (a animação tem apenas 63 minutos), Interstella acerta por ser uma “viagem cósmica” acompanhando a trajetória dos Crescendolls e, ao mesmo tempo, sentir a música dos Daft Punk.

Por ser um filme “mudo” em sua essência, o longa não nos entrega nada de mão beijada.

Seja prestando atenção nos detalhes ou na música em si, é trabalho do interlocutor entender o que está ocorrendo na tela.

A animação é um “must watch” pra quem é fã de música, animações e especialmente animes sobre bandas espaciais, astronautas e condes, o que é bem específico e se você tem esses interesses, me pergunto o porquê de ainda não ter ido procurar um player para assistir. 

Curtido por 1 usuários

Comentários

avatar

As pessoas também curtiram

Histórias relacionadas
1.
Bolsonaro diz que irá tentar a reeleição caso não ocorra uma “boa reforma política”
2.
Atividade física e envelhecimento saudável
3.
P2W? Modelos de negócios dos jogos
4.
O que está chegando para o PS4?
5.
Estudo testa os efeitos do GPS no cérebro
6.
Dá pra sair sozinho da depressão?
7.
A nova precarização do trabalho
8.
Os efeitos da droga mais letal do mundo: o álcool
9.
5 marcas plus-size pra não perder de vista!
10.
O pacto dos violeiros: Você conhece essa história?
500x500
500x500