Irã afirma que não vai mais negociar com os EUA em acordos nucleares

Recentemente o Irã decidiu que não negociará seus programas nucleares e de mísseis com os Estados Unidos. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei foi citado em seu site:

“Dissemos antes que não vamos negociar com os Estados Unidos, porque a negociação não traz benefícios e traz danos”.

O Presidente americano Donald Trump se referiu ao acordo nuclear iraniano, firmado em 2015 por algumas potências mundiais como o “pior acordo do mundo” e recentemente veio decidindo se o abonaria até 12 de maio desse ano (prazo determinado pelo próprio presidente).

Respondendo a essa possibilidade o presidente do Irã, Hassan Rouhani, afirmou em discurso que essa seria uma atitude digna de “arrependimento histórico”, visando manter o acordo feito com o ex presidente americado Barack Obama, comprometendo-se a limitar suas atividades nucleares em troca de alívio nas sanções diplomáticas.

Efeitos dos acordos anteriores

O documento assinado no passado estabeleceu um teto para o estoque de urânio enriquecido do Irã – utilizado para produzir combustível para reatores e também armas nucleares – durante o período de 15 anos e paralelamente limita o número de centrífugas para o enriquecimento do metal. Teerã também se comprometeu a modificar um reator de água pesada responsável pela produção de plutônio – material usado para substituir o Urânio em bombas.

Entretanto, Trump não se vê satisfeito com o acordo e em janeiro desse ano disse que não manteria o acordo caso novas medidas não fossem adicionadas ao mesmo, dentre elas:

Inspeções regulares e imediatas a todos os locais demandados pela IAEA (Agência Internacional de Energia Atómica).

Compromisso iraniano de que “não chegue perto de possuir capacidade de fabricação de uma arma nuclear”; segundo algumas fontes do governo americano esse seria o cumprimento do chamado “Break-out-time” – Tempo necessário para fabricar uma bomba, que gira e torno de 1 ano.

Dispositivos que limitassem as atividades nucleares no território do Irã sem data de expiração mais o retorno da aplicação de sanções caso esses dispositivos sejam violados, justificando como quebra de acordo internacional.

A inclusão de menção explícita de que os programas de misseis de longo alcance e de armas nucleares são inseparáveis, e de que o desenvolvimento de mísseis e eventuais testes deste tipo de armamento ficam sujeitos a aplicações de sanções rigorosas.

Perspectiva iraniana

Mas o Irã insiste que seu programa nuclear é absolutamente pacífico e considera o acordo anterior como algo inegociável. Rouhani afirma que o país tem “planos” para resistir a qualquer decisão que venha a ser tomada por Trump e volta a lembrar que a reaplicação das sanções terá “consequências severas”.

As autoridades iranianas estipulam um prazo de poucos dias para que o país volte a trabalhar o enriquecimento de urânio e, com isso, estaria se autor retirando do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NPT, na sigla em inglês).

Com a hipotética ocorrência de todos esses fatos e a saída dos EUA do acordo, as potências Europeias e outros países interessados poderiam recusar-se a cumprir as sanções estipuladas pelos Estados Unidos.

Apesar do governo Obama argumentar que o JCPOA (Plano de Ação conjunto global) “não era um acordo”, mas sim um “reflexo de compromissos políticos”, em 2017 a Chefe política externa da União Europeia, Federica Mogherini, disse que nenhum signatário do acordo poderia abandoná-lo.

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