Magno Malta: como Bolsonaro explicará as 'roubadas' de seu vice?

Magno Malta: como Bolsonaro explicará as 'roubadas' de seu vice?

Se Malta for mesmo escolhido, o “mito” provará que é apenas isso: uma lenda inventada por estes tempos de moralismo de Facebook

Confirmada a filiação de Jair Bolsonaro ao PSL, a campanha do ex-capitão do Exército entra numa fase mais concreta: a consolidação de sua chapa, o que envolve a escolha dos nomes que disputarão cargos majoritários ao seu lado. Além de candidatos ao Senado e a governos estaduais, Bolsonaro precisa definir seu vice. Até agora, o senador capixaba Magno Malta (PR) é o franco favorito, com direito, inclusive, a mesuras do presidenciável. Sinceramente, se Malta for mesmo escolhido, o “mito” provará que é apenas isso: um “mito”, uma lenda inventada por estes tempos de moralismo de Facebook. Abrirá, ainda, um belo flanco para ataques de adversários, e fará com que Bolsonaro tenha muito a explicar, dada sua pose de combatente implacável da corrupção.

Já escrevi sobre isso antes, mas nunca é demais lembrar das peripécias de Malta. De algumas, frise-se, o senador só escapou por puro corporativismo de seus colegas de Congresso. Outras ainda dormitam nas gavetas da Polícia Federal e de procuradores. Aí vão cinco casos embaraçosos para Malta e, sobretudo, para Bolsonaro – o candidato que quer “metralhar” todas as coisas erradas do país. Que tal começar olhando para a própria chapa?

A capivara do senador

Operação Sanguessuga: em maio de 2007, a Polícia Federal indiciou Magno Malta por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na época, investigações da PF e do próprio Congresso chegaram à conclusão semelhante: a chamada máfia dos sanguessugas superfaturava a compra de ambulâncias para prefeituras, com recursos oriundos do Orçamento federal, e desviava o dinheiro excedente. A família Ventoin, dona de uma das empresas envolvidas, afirmou em juízo que deu um Fiat Ducato ao senador como parte do pagamento. Malta, que jura inocência, foi indiciado pela CPI dos Sanguessugas, mas escapou de qualquer condenação na Comissão de Ética do Senado.

Férias em Dubai: Em dezembro de 2008, Magno Malta passou quatro dias de férias em Dubai, nos Emirados Árabes, em companhia de seu assessor José Augusto Santana. Oficialmente, ambos requisitaram verba do Senado para participarem de um fórum sobre o combate à pornografia infantil na Índia. O problema é que eles decidiram dar uma esticadinha até Dubai para esfriar a cabeça – tudo devidamente pago por você, caro bolsonarista.

Atos secretos: em meados de 2009, estourou o escândalo dos atos secretos no Senado. Em bom português, a direção da Casa beneficiou 37 senadores de diversos partidos com medidas administrativas que não foram publicadas para ciência geral da nação. No que se refere a Magno Malta, descobriu-se que o senador se beneficiou de um ato secreto para “plantar” um espião na Comissão de Ética da Casa em maio de 2005, quando era investigado por quebra de decoro. O pastor evangélico Nilis Castberg, o tal assessor, era segundo suplente do próprio senador e só foi descoberto com a revelação dos atos secretos.

Contas rejeitadas: em 2013, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo puniu o diretório do PR no Estado. O partido ficou proibido de receber repasses do fundo partidário por um ano. O motivo foi a rejeição das contas prestadas. Entre as irregularidades, estavam o lançamento de despesas sem comprovação, omissão de informações sobre doações, aporte de dinheiro diretamente no caixa do partido, e não em conta corrente, conforme determina a lei eleitoral para evitar manipulação de recursos e caixa dois etc. Adivinhem quem era o presidente do PR no Espírito Santo, na época? Ganha uma foto com Bolsonaro quem disser Magno Malta!

R$ 100 mil por fora: a mais recente história mal contada envolvendo Malta é uma troca de e-mails entre a direção da Itatiaia, uma das maiores fabricantes de móveis de cozinha do país. O caso foi revelado no ano passado, mas as mensagens referem-se a 2014. Nelas, seu presidente Victor Penna Costa, informa aos diretores que pagou R$ 100 mil ao senador, sem emissão de nota fiscal. Para justificar na contabilidade, o dinheiro foi registrado como antecipação de pagamento para o próprio Penna Costa. Malta também contou com o jatinho da empresa para se deslocar entre 2012 e 2013.

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