Michel Temer é candidato pelo 'Partido do Eu Sozinho'

Michel Temer é candidato pelo 'Partido do Eu Sozinho'

Tudo o que Temer não quer é apanhar na eleição, sem que ninguém o defenda. Agora decidiu apanhar pessoalmente – e sozinho

Michel Temer é candidato pelo 'Partido do Eu Sozinho'
Falando sozinho: a única bandeira que Temer quer defender na eleição é sua própria imagem (Foto: Beto Barata/PR)
Michel Temer é candidato pelo 'Partido do Eu Sozinho'

Os cientistas políticos não se cansam de dizer que o MDB é uma confederação de interesses regionais. Os grupos reúnem-se ao redor de caciques locais, como Romero Jucá, que nasceu no Maranhão, mas consolidou seu poder em Roraima; o alagoano Renan Calheiros; e a facção do Rio de Janeiro, com mais membros graúdos na prisão do que em reuniões do diretório estadual. Mas o que se vê agora é uma mudança de patamar: Michel Temer está prestes a refundar o MDB como uma confederação de interesses pessoais. No caso, o dele próprio.

Diante da dificuldade de um candidato presidencial de centro se consolidar, Temer confirmou que disputará a reeleição em outubro. Sua maior missão, contudo, não é vencer o pleito. Nem sequer manter as bandeiras do MDB em evidência, ou ajudar a eleger uma forte bancada no Congresso, ou emplacar governadores em Estados estratégicos. Em entrevista à edição da IstoÉ desta semana, Temer afirmou: “acho que seria uma covardia não ser candidato.” E emendou dizendo que, se não o fizer, será o saco de pancada de eleição, sem ninguém para defendê-lo.

Salve-se quem puder

Diante disso, está claro que Temer não está nem um pouco preocupado em grandes voos políticos. Não pretende construir um forte arco de alianças que unifique o centro e fortaleça uma chapa governista. Não estará lançando novos programas sociais, nem pacotes de investimentos. Estará, apenas, marcando território e falando de si mesmo. Sinceramente, tratar-se-á de uma postura muito pouco republicana para um presidente que pede um segundo mandato.

É claro que há resistências no MDB. Segundo o Estadão deste sábado (24), a baixíssima popularidade de Temer afugenta muito mais do que atrai eleitores. Qualquer um que for forçado a colocar sua foto ao lado da do presidente, nos santinhos de campanha, se arriscaria a herdar a rejeição do inquilino do Planalto. Isto é particularmente sensível para quem pretende se eleger ou reeleger para o Congresso, em busca do sempre bem-vindo foro privilegiado em tempos de Lava Jato.

Mas as chapas majoritárias também ficariam comprometidas. Sem uma candidatura própria à presidência, o MDB teria muito mais flexibilidade para negociar alianças estaduais – basta ver o senador Eunício Oliveira flertando o PT no seu Estado, o Ceará. Golpistas e supostas vítimas do golpe juntinhos nos palanques e nos santinhos. Como ficaria, se, ao lado deles, ainda surgisse a carinha de Temer? Sem dúvida, embaraçosa é uma palavra adequada para a situação.

Temer, contudo, não levará em consideração esses pormenores. Tudo o que o presidente não quer é apanhar em público, sem ninguém que o defenda. Tudo bem: ele apanhará pessoalmente dos demais candidatos – e sozinho, como sempre.

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