Moro subestima a inteligência nacional?

De acordo com Ruy Fausto, Sérgio Moro estaria tentando se defender usando uma lógica insustentável, e que não exclui as evidências de que a lei não foi observada 100% na operação Lava Jato. No entanto, essa constatação não corrigiria os erros e nem tampouco iria inocentar o Partido dos Trabalhadores (PT).

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, em resposta às críticas que recebeu devido à sua atuação e a do procurador Deltan Dallagnol, diante das revelações no site The Intercept Brasil, apresentam teor comparável.

Em uma das respostas, o ministro disse que as informações apresentadas podem ter sido adulteradas. Em uma outra resposta, ele já disse que não contém nada demais nas informações. E ainda acrescenta que talvez possa ter havido uma eventual adulteração parcial das informações.

Para Ruy Fausto, as respostas de Moro, considerando uma lógica pragmática, haveria uma contradição entre elas.

Se a questão for vista por um sentido puramente lógico, o que Moro disse pode ser verdade. As informações que o interceptor divulgou poderiam, eventualmente, ter sofrido uma alteração parcial ou total. E ainda assim não traziam nada comprometedor.

Em sentido pragmático, portanto, um enunciado acaba colocando o outro em questão, o que pode indicar que eles estariam se falseando de maneira recíproca.

Veja bem: se o ministro afirma que as gravações podem ser falsas, então não há necessidade de dizer que elas não possuem nada de comprometedor.

Da mesma forma que, se não existe nada de escandaloso nas informações apresentadas, também não há a necessidade de afirmar que elas são eventualmente falsas.

Segundo Moro, a sua intenção era combater a corrupção na política. Porém, para conseguir o que queria, ele acabou agindo de forma irregular. Moro e os seus praticaram atos como: decretar prisão preventiva sem nenhuma justificativa, interceptar conversas telefônicas de forma ilícita, deposição “sob vara” onde a lei não exigia, além de interferir no trabalho de procuradores.

O resultado de toda a intervenção e ação de Moro acabou contribuindo de forma significativa para que o atual governo fosse eleito. E, logo em seguida, antes mesmo de assumir a presidência do país, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, convidou o até então juiz a ser o seu ministro da Justiça.

A imprensa está contra Moro

Moro acusa a imprensa de sensacionalismo por causa das informações divulgadas. Ele ainda diz que as declarações foram “tiradas de contexto”. Mas não confirma a autenticidade das mensagens.

O fato é que ele já deu várias respostas para essa questão, e uma não compactua, de todo, com as outras. Estaria o ministro da Justiça subestimando a inteligência nacional?

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