“Na direita existem mais gays do que na esquerda” afirma Douglas Garcia

Douglas Garcia, o deputado estadual do PSL-SP, ficou famoso há algumas semanas por fazer comentários transfóbicos e logo em seguida se assumir gay. Ele defende o presidente Jair Bolsonaro e afirmou em entrevista ao EL PAÍS que “Na direita existem mais gays do que na esquerda”.

O deputado, embora seja gay, defende políticos e ideias que são contra sua orientação sexual. Confira uma parte da entrevista concedida ao EL PAÍS:

Você teve um comportamento transfóbico na Assembleia, ofendendo indiretamente a deputada trans Erica Malunguinho, do PSOL. Você se arrepende disso?
Eu pedi desculpas pela forma, mas jamais vou me desculpar pela ideia. Continuo achando que transexuais e travestis não podem utilizar banheiro feminino. Talvez a forma tenha sido muito excessiva, por isso tive a humildade de pedir desculpas. Me dou bem com os parlamentares da Casa, mesmo que eles sejam de posicionamento extremamente diferente do meu. Mas minha ideia continua a mesma.
Como enxerga a situação do gay no Brasil?
Como algo normal. Os heterossexuais e os gays vivem normalmente no Brasil. "Ah, o Brasil é um país homofóbico". Apenas em 8% dos crimes de homicídio são identificadas as motivações. Então como conseguem dizer que as mortes de LGTBs são por homofobia? A matemática não fecha. Existem homofóbicos no Brasil? Existem. Mas não é por isso que o Brasil é um país homofóbico. O mesmo com relação aos racistas. Não é porque temos brasileiros racistas que o país é racista. A condição do gay é igual à dos heterossexuais.
Mas você fala em armar a população em um momento no qual vários países, dentre eles os Estados Unidos, discutem medidas para restringir o acesso às armas. Você tem algum exemplo de país onde armar a população funcionou para reduzir a violência?
Você tem algum case de um país onde o desarmamento aumentou a segurança das pessoas? Não. Todos os países onde o desarmamento virou lei, principalmente na Europa, a população morreu de forma avassaladora e o número de homicídios aumentou. [Na realidade, a maioria dos países europeus proíbe a posse e porte de armas, e todos têm taxas de homicídio inferior à brasileira]. Se os loucos podem se armar, porque a população não pode se defender? O bandido pensará duas vezes antes de assaltar alguém se souber que a população está protegida.

A defesa de pautas por direitos para a comunidade LGBTs é associada às bandeiras da esquerda. Qual o papel de um político gay de direita no país? Acha que mais parlamentares de direita não se assumem gays por receio de repercussão ruim?

É verdade que a bandeira LGBT é frequentemente associada à esquerda. Mas veja: aqui na Alesp, quem é o único deputado assumidamente gay? Eu. Na bancada do PT tem algum deputado gay? Na bancada petista do Congresso? Não. Na Câmara Municipal, fora o Fernando Holiday, tem algum outro vereador gay? Não. Depois que eu me assumi gay o número de gays que apoiam o Bolsonaro e me procuraram para me parabenizar foi enorme.
Acredito que na direita tem mais gay do que na esquerda.
Mas as pessoas de direita não levam a orientação sexual em conta ao votar, votam nas ideias. Por isso pra gente não vale a pena criar um movimento LGBT de direita, categorizar assim.
Confira a entrevista integral no EL PAÍS
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