O absurdo nosso de cada dia nos dai hoje

O ensaio “O Mito de Sísifo”, escrito por Albert Camus é uma das maiores obras literárias que a humanidade possui. Embora o vencedor do Nobel se considere um escritor, e não um filósofo, Camus exemplifica majestosamente o absurdo da existência humana.

Diferente de outros escritores e filósofos famosos, Camus não teve uma juventude fácil. Ele teve origem pobre, sem energia elétrica, água encanada, sem livros e jornais pomposos, ele aprendeu a pensar por si só. Tanto que aos 22 anos, ele já escreveu uma de suas várias poderosas frases.

“Certo número de anos sem dinheiro basta para criar toda uma sensibilidade”

Porém, Camus não foi um homem de frases de efeito, ele sempre disse o que queria em palavras cortantes, palavras que muitas pessoas não têm coragem de ler.

A filosofia do absurdo nos mostra o quanto a humanidade não tem propósito, Camus abre nossos olhos brutalmente para que possamos enxergar um mundo cruel, triste, absurdo, mas real.

Para exemplificar esse absurdo, Camus fala sobre o Mito de Sísifo, uma história mitológica escrita por Homero onde os deuses castigam um rei por desafiá-los.

Como punição, o rei passou a ser obrigado a carregar uma pedra gigante ladeira acima, e toda vez que ele chegava ao topo, a pedra rolava para baixo novamente. O rei foi condenado a viver nesse limbo eternamente.

A metáfora de ser obrigado a exercer uma tarefa inútil é refletida em nossa vida, passamos anos e anos em escritórios, em trabalhos ou até mesmo em casa, sempre fazendo coisas fúteis, sem sentido algum.

Todas as atitudes que temos, tudo o que fazemos, nada faz sentido. Nada tem um propósito final, já que iremos todos morrer, assim como nossos filhos e netos, e com o tempo, ninguém saberá de nossa existência.

No fim, não faz a menor diferença as atitudes que tomamos em vida, nossas vidas não passam de um segundo em toda a história do Universo. Nós nascemos, vivemos, morremos, e o Universo sequer nota isso.

Com isso, Camus afirma que se tomarmos a decisão de viver, devemos assumir que a vida não tem o menor sentido. O escritor criou assim o conceito de Niilismo, ou seja, viver negando o sentido de tudo.

"Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado."

É claro que há divergências entre pensamentos, muitos filósofos não concordam com esse pensamento de Camus, mas muitos estão de acordo. Cada pessoa pode ter uma concepção de vida diferente. Mas segundo o mesmo Camus:

“A única questão verdadeiramente importante da filosofia é o suicídio”

Viver ou não?

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