O Brasil dividido de norte a sul

O Brasil é um país de dimensões continentais, grandioso em todos os sentidos: o maior país da América do Sul, o segundo mais populoso do continente, uma das maiores economias do mundo com um gigantesco mercado consumidor.

Os mais de 200 milhões de brasileiros compartilham o mesmo idioma, mas as diferenças culturais são sempre destaque quando pensamos no que nos torna um povo, o que nos une como brasileiros.

Quantos Brasis há no Brasil?

Alguns estudiosos da cultura brasileira afirmam que há diversos Brasis dentro de um mesmo país. O Nordeste, por exemplo, destaca-se como um espaço favorável à exploração turística, com belas praias paradisíacas de águas quentes e com grande efervescência cultural, com gigantescas festas populares como o carnaval e os festejos juninos.

O Sul do país, por sua vez, é considerado nossa pequena Europa, já que é basicamente habitado por descendentes de imigrantes oriundos do velho continente. Em muitas cidades do Sul ainda há casas de madeira - cuja arquitetura nos remete, a todo o momento, às raízes dos povos que ali se estabeleceram com suas famílias.

Há grandes diferenças entre um nordestino do sertão e um gaúcho dos pampas. Como também há grandes diferenças entre eles e um carioca do morro, um executivo paulista e um fazendeiro goiano.

Embora o idioma seja o mesmo, as peculiaridades locais fazem com que, muitas vezes, a compreensão do que se fala não seja imediata: a rotatória de São Paulo é o queijinho em Goiás; o estojo do mineiro é o penal do paranaense. Aliás, no Paraná, salsicha é vina e menino é piá, como é guri no Rio Grande do Sul e moleque em Minas Gerais.

Diferenças políticas

Essas diferenças sempre existiram e não são uma grande novidade. Nos últimos anos, porém, elas foram acentuadas, como reflexo de decisões de cunho político partidário.

Brasileiros do Sul e do Norte, acentuadamente antagônicos em votações majoritárias, passaram a se ver como inimigos, culpando uns aos outros pelos problemas do país. E essa divisão foi claramente incentivada por um grupo político específico que enxergou nessa polarização a chance de manter-se no poder capitalizando, com proveito político, as diferenças que nos separam e não as realidades que nos unem.

Alguns querem separar

A primeira década deste século, por exemplo, foi marcada pela intensificação, pelos sulistas, do movimento separatista da região, com o intuito de formar um país independente e autônomo do restante do país.

E essa autonomia é necessária, segundo os líderes do movimento, porque o Sul é taxado de forma excessiva pelo governo federal e recebe menos investimentos que o restante do país, além de ter uma constituição cultural e climática também muito diversa.

Há movimentos separatistas também no estado de São Paulo e em alguns estados nordestinos. Todos com a mesma motivação: a busca de autonomia e a afirmação de uma identidade cultural e social próprias.

Enquanto a força desses movimentos flutua conforme quem nos governa, a realidade mostra-se muito dura: faltam empregos e a falta de oportunidades nos une como um povo miserável, abandonado por aqueles que deveriam zelar por nós.

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