O fim do mundo a dois segundos da meia-noite

Em 2018, o Boletim de Cientistas Atômicos trouxe seu medidor de risco nuclear para a marca de dois minutos para a meia-noite.

É a primeira vez que o índice atinge um grau tão crítico desde sua criação, em 1953, quando marcava também dois minutos. Naquele momento, os Estados Unidos e a União Soviética alternavam-se a cada seis meses fazendo testes com bombas nucleares. Em 1991, com o fim da guerra fria, o relógio marcava 17 minutos para a meia-noite.

Teorias do apocalipse

É fácil lembrar-se por exemplo de 2012, quando o próprio ano era o mote do apocalipse. Filmes, séries, livros desde então, criaram um próprio gênero que fala sobre os mundos possíveis quando as ordens entrarem em colapso.

Um meteoro gigante, uma terceira guerra mundial, uma bomba nuclear, o aquecimento global: a humanidade tem sido pródiga em criar e recriar teorias sobre um possível fim do mundo. Algumas teorias são plausíveis, outras, entretanto, só servem para alimentar a ansiedade daqueles que insistem que é necessário não só prever, mas controlar os efeitos que o tempo traz às vidas de todos nós.

O apocalipse ambiental: aquecimento global

De todas as teorias sobre um iminente e catastrófico fim do mundo, o aquecimento global é, sem dúvidas, a mais popular nos dias atuais. E a sua popularidade advém do fato de que a comunidade científica agiu de maneira a transpor o academicismo e levar a discussão para as escolas, para as crianças, para os programas de entrevista matinais.

Na década de 90, termos como “emissão de CO2”, “efeito estufa” e “aquecimento global” entraram no nosso vocabulário cotidiano, nas mesas dos bares, nos almoços de domingo em família. A preocupação com o futuro do planeta passou a ser popular, não mais de alguns poucos estudiosos.

Fomos obrigados a falar sobre poluição, reciclagem, sobre meios de diminuir impacto de nossas ações sobre o meio ambiente. E isso nos tornou, de alguma forma, responsáveis uns pelos outros.

O bem-estar dos pinguins da Antártida é tão importante quanto a diminuição da poluição em Pequim – isso porque estamos conectados uns aos outros e tudo o que acontece em qualquer lugar do planeta afeta, sim, a cada um de nós.

O apocalipse psicológico: informação para curar a ansiedade

Essa conexão com o distante, com o desconhecido foi, de sobremaneira, impulsionada pela popularização do acesso à internet. Nem tudo é tão sério, porém. A internet proporcionou a disseminação de teorias absurdas sobre a extinção da humanidade, baseadas em previsões de numerólogos, interpretação de profecias astecas, notícias sobre planetas escondidos pela NASA que estariam em rota de colisão inevitável com a Terra.

Embora o mundo não tenha sido destruído por quaisquer dessas catástrofes, é interessante observar o burburinho que elas causam, sendo motivo, por exemplo, para a organização de cultos, eventos e festas.

As informações em excesso, sem filtro

O apocalipse mítico: uma cortina para a morte

Talvez nossa obsessão com o fim do mundo seja uma cortina para pensarmos sobre a nossa morte e sobre o fato, este sim inegável, de que um dia este mundo terá um fim, e não há novidade nenhuma nisto.

O planeta resistiu ao dilúvio, às pragas que Deus mandou sobre os egípcios, ao meteoro que extinguiu os dinossauros. Resistiu também a duas guerras mundiais, a loucos de todo gênero que propagam o caos.

Não sabemos quanto mais resistiremos e talvez o belo da vida esteja em ter ciência da sua imprevisibilidade. Continuemos a esperar pelo fim: do mundo ou o nosso – aquele que vier primeiro.

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