O furo de Lauro Jardim pode ser o 'Watergate brasileiro'?

O furo de Lauro Jardim pode ser o 'Watergate brasileiro'?

Uma análise sobre os bastidores reportagem exclusiva sobre a delação premiada de Joesley Batista e a JBS.

Lauro Jardim é um repórter experiente e deu o furo52Furo53

Lauro explicou seu próprio trabalho numa entrevista ao próprio jornal O Globo, onde trabalha, e ao programa do apresentador Pedro Bial na TV Globo. Assista o último abaixo.

Watergate é considerado o maior furo de jornalismo político na história dos Estados Unidos. O caso trata de cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no Comitê do Partido Democrata. Foi capa do jornal Washington Post em 18 de junho de 1972.

A informação foi levantada por dois repórteres chamados Bob Woodward e Carl Bernstein, que ficaram por muitos meses rastreando as ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício de Watergate. Um informante chamada Deepthroat revelou que o presidente republicano Richard Nixon, do partido rival, sabia das operações ilegais.

Em 24 de julho de 1974, Nixon foi julgado pela Suprema Corte dos Estados Unidos e obrigado, por veredicto unânime, a apresentar as gravações originais, que comprovaram seu envolvimento na ação criminosa contra a sede do Comitê Nacional Democrata. O jornalismo do Post provocou a abertura de um processo de impeachment. Depois de 16 dias, em 9 de agosto, Richard Nixon renunciou à presidência e foi substituído pelo vice Gerald Ford, que assinou uma anistia tirando responsabilidades legais de qualquer infração.

Voltando ao Brasil, Lauro Jardim é um jornalista experiente que começou no próprio Globo no Rio, trabalhou na revista EXAME sob chefia de Paulo Nogueira (hoje no Diário do Centro do Mundo) e depois assumiu a coluna Radar da revista Veja. A especialidade de Lauro são as informações exclusivas.

Ele já cometeu barrigadas e erros de dados, sobretudo envolvendo o ex-presidente Lula, mas acertou desta vez ao obter indícios claros de irregularidades.

De fato o furo dado por Lauro com Guilherme Amado no Globo pode ser comparado ao Watergate. E, mais próximo disso, a denúncia dele se assemelha com as entrevistas de Pedro Collor à Veja, em 1992, e o depoimento do motorista Eriberto França à ISTOÉ. Ambas provocaram o impeachment de Fernando Collor de Mello. O impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff não ocorreu por uma reportagem jornalística, mas por uma conjuntura política que a derrubou.

Lauro explica que manteve contato com duas fontes para conseguir informar sobre a delação da JBS. Não diz quem é, mas é de se supor que as informações tenham vindo da própria PGR, o que significa um controle quase absoluto da Justiça e do Ministério Público em cima das informações. Isso é diferente, por exemplo, do grampo que o jornalista Fernando Rodrigues (ex-Folha, atual Poder360) colocou em deputados para denunciar a compra de votos da reeleição de FHC em 1997. Lauro Jardim recebeu as informações desde o final do mês de abril de 2017 e repassou quando a delação foi homologada pelo ministro do STF, Edson Fachin.

O furo de Lauro Jardim pode, efetivamente, derrubar o presidente Michel Temer. Os veículos de comunicação brasileiros, da pequena mídia até a Globo, já pressionam o presidente.

Temer resiste. Mas basta mais uma mudança na conjuntura para o inevitável acontecer, após a explicitação dos crimes de corrupção.

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