Precisamos falar sobre bullying

Precisamos falar sobre bullying

Precisamos falar sobre bullying

Bullying é uma das palavras que definem o século XXI. Em uma época em que as diferenças estão cada vez mais acentuadas e expostas, a vivência delas gera, cada vez mais, discussões, problemas e ataques diversos, capazes de provocar marcas psicológicas profundas e duradouras.

Nascemos e morremos sozinhos – e não há realidade que mude isso. E, no intervalo que separa essas duas realidades, somos vítimas e algozes uns dos outros, em um processo de evidenciação e ocultação das diferenças que, ao mesmo tempo, nos unem e nos separam.

Semelhanças e diferenças

Tenho a impressão de que as diferenças sempre existiram, mas que as problematizamos menos antes. Lembro que, desde a mais tenra infância, meus amigos e eu trocávamos, uns com os outros, apelidos diversos, onde exaltávamos as qualidades e defeitos, em uma espécie de arte do insulto, tal como faz um bom caricaturista ao buscar inspiração para a sua obra. “Quatro olhos”, “CDF”, “botijão de gás”, “Zóinho”, “Língua Presa”, “Bebê da mamãe” eram as formas nada carinhosas que utilizávamos para nos referir uns aos outros, num processo contínuo e permanente de exaltação das nossas vulnerabilidades, das características que nos faziam diferentes.

E ninguém gosta – isso ainda não mudou – de ser percebido e apontado pelos outros por coisas tidas por defeitos. Eu gostaria de ser mais alta, menos gordinha, gostaria de ter olhos azuis e gostaria de falar com uma voz menos estridente.

Por ouvir isso desde que eu era criança, eu considero que, com o tempo, fui tentando corrigir as coisas que me incomodavam e as coisas que incomodavam aos outros – embora estejamos acostumados a ouvir, cada vez mais, que não importa o que os outros pensam de nós contanto que estejamos bem e felizes. Essa é uma verdade parcial, já que vivemos em sociedade e estamos, a todo o tempo, sendo julgados por nossos atos, escolhas e posturas. Ou seja, não há fuga possível e a melhor escolha para superar o problema é sempre o enfrentamento.

Alertando as crianças

Crianças são sempre alvos fáceis e cabe a nós, enquanto adultos, ensiná-las sobre a realidade da vida. E a realidade da vida é que o bullying passa quando somos capazes de nos olhar no espelho e entender que há coisas que podemos mudar e coisas que não podemos. Sobre as primeiras devemos agir e sobre as segundas só podemos aceitar. Enquanto nos comportarmos como vítimas do mundo, das pessoas e do sistema, seremos presas fáceis de um processo permanente de destruição da nossa personalidade.

Aceitando quem somos

Fomos feitos para a ação e não somos exemplo de coisa alguma. Entendendo isso podemos nos posicionar perante a vida como sujeitos ativos e não como marionetes de vidro.

Somos incríveis, de verdade. Embora o mundo esteja cheio de gente chata e mal amada, querendo dizer o que você pode ou não pode fazer, as suas escolhas e ações podem mostrar que, mais que uma caricatura, você é uma pessoa real. Devemos ensinar nossas crianças que bullying é uma palavra, mas que a coragem é a única escolha que transforma o mundo.

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