Será a adaptação de 'Death Note' mais um caso de 'whitewashing'?

Após divulgação do trailer, novo filme da plataforma de streaming chama mais atenção pela (controversa) escalação do elenco

A Netflix divulgou nessa última quarta-feira, 22, o primeiro trailer para o live-action the “Death Note”, a versão norte-americana do anime de maior sucesso do Japão na última década. 

Confira:

Com lançamento previsto para 25 de agosto, a produção traz o ator Nat Wolff (de “Cidades de Papel”) como o protagonista desse thriller. A história conta a trajetória de um jovem que descobre um caderno que mata qualquer pessoa que tenha seu nome escrito nele. Com isso, o personagem começa a escrever nomes de pessoas que ele não considera “dignas de viver”. A direção ficou a cargo Adam Wingard, da nova versão de A Bruxa de Blair, em 2016. Portanto, podemos esperar muita emoção e adrenalina correndo solta, não é?

Originalmente, a obra é um mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. Desde 2003, quando estreou no país, se tornou uma das séries anime mais conhecidas, com quatro filmes live-action, uma série dramática de televisão e um musical, entre outras adaptações. Ou seja, ao que tudo indica, será mais um sucesso, não fosse por uma questão para lá de grande que tem chamado atenção do público da franquia: o “whitewashing”. 

Para quem não conhece, a palavra é uma expressão para quando um personagem étnico é interpretado por um ator branco, seja por uma fantasia pura dos criadores, ou até de maneira estereotipada e ofensiva. Um exemplo claro é a figura do “Ancião” no filme do Dr. Estranho que, em vez de representar um monge oriental foi interpretado por uma atriz branca, por exemplo.

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O termo é conhecido há um tempo, mas começou a ganhar mais força depois de uma campanha do Oscar 2016 chamada “Why so White?”, que expressava a ausência completa de atores negros ou de qualquer outra etnia entre indicados. Situação bizarra que levou muitos (com razão) ao boicote. E se você ainda não entendeu, é tipo quando uma novela se passa na Índia, mas não tem nenhum indiano. 

Bom, o fato é que apesar da importância e relevância da discussão, as indústrias do cinema e da televisão têm milhares de desculpas rasas para isso; coisas desde que protagonistas brancos são melhores para audiência, até o fato de que ninguém gosta de legenda ou a mais “cara de pau”, quando falam que não ligam para cor de pele e simplesmente dão o papel para quem mereceu ou para o que a audiência optar.

Hello, vamos falar de privilégio?
 

Agora o pior é que essa polêmica já acompanha alguns outras adaptações do ano, incluindo o esperado “Ghost in the Shell”, com Scarlett Johansson interpretando também uma personagem que é japonesa na história original. Dessa vez, porém, uma ciborgue que deve comanda uma força tarefa contra um ataque cyber-terrorista.

Como sempre, rapidamente alguns vieram em defensa da escolha do elenco, falando que era uma adaptação e, portanto, poderia ser com uma ~audiência americana~.

Agora a pergunta que fica é: e por que raios uma audiência americana significa atores brancos?

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1. Dragonball Evolution
Justin Chatwin interpreta Goku e Emmy Rossum como Bulma. Para quem conhece o desenho, isso é ofensivo em outro nível. 
2. O Cavaleiro Solitário
Johnny Depp como um nativo americano. Não preciso comentar mais nada, né?
3. Bonequinha de Luxo
Mickey Rooney como Mr. Yunoshi, um arrognte e amargurado vizinho japonês. O ator usou maquiagem e prótese na boca para interpretar o caricato personagem. Sem dúvidas, a falha mais racista no icônico filme
4. Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo
Jake Gyllenhaal como personagem principal em um filme da Pérsia. Risos. Ah, e nenhum ator do filme era iraniano ou descendente de muçulmanos
5. Pan
Tigrinha (Tiger Lily no original) é interpretada no filme por Rooney Mara. Tigrinha é uma “princesa” indígena e Rooney Mara… Veja a foto. 
#CloseErradoParaOWhiteWashing
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